Uma história pra contar

Não há conhecimento mais irrelevante em se saber quem se é.
E não há mudança que nos afete em essência.
Nem rio que passa,
Nem choro que arrasa.
Nem chuva que lava
Essa alma calada.
Nem amor que arremesse
Em outra galáxia.
O ser que ja foi
Ou alguém que será.
Porque não mudará.
A essência É, ESTÁ
E se há no mundo gente
Estranha ou diferente
Nem sei te falar…
Pode ser eu ou você
O vizinho ou o padeiro.
Porque no final,
Todo mundo tem
Uma historia pra contar.

Sorriso

Lembrei-me do meu sorriso infantil
O que tinha de puro e engraçado
Foi-se com o tempo, sumiu
Eu o tinha desperdiçado.
O sorriso mais lindo que existiu
Chorei então para esquecer
E o que eu sentia me consumiu
Aquele sorriso de ingênuo saber
Deixou de ser, desapareceu, esqueci,
A sabedoria me havia feito crescer.
E com ela tudo desaprendi….
E com o tempo esqueci de eu mesma de ser….
Brasília – 7 de março de 1991

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Velasquez – As Meninas – Museu do Prado Madrid

O Sol é para Todos


 

capa do livro

Meu filho mais velho teve este livro como leitura obrigatória e eu me disponibilizei em ler junto com ele – em inglês mesmo. O resultado não podia ser outro senão uma mesa de jantar cheia de reflexões sobre este livro e seus assuntos (nada leves, nem superficiais).

Quando acabei de ler o livro tive a impressão de estar escutando uma menininha do interior dos Estados Unidos conversando comigo e me fazendo pensar sobre a vida – assim mesmo.

Toda a narrativa é feita em primeira pessoa e Scout, a protagonista, é uma garotinha de 6 a 7 anos de idade (a idade do meu filho mais novo) e que vai dando o seu parecer e ponto de vista para as situações que vão acontecendo no período de 1933 a 1935. Seu pai, Atticus um advogado de uma cidade pequena no Alabama, ensina a seus filhos (Scout e Jem) a ler e escrever antes de eles irem pra escola e quando chega o momento irem, eles provocam uma série de reações interessantes e inusitadas dentro da escola.

Lee Harper (1926 - 2016)
Escritora de To kill a Mockingbird

Porém o livro tem uma virada e os eventos que sucedem tem um desenrolar curioso. Os temas centrais do são o racismo, o estupro e a justiça – que será defendida com unhas e dentes pelo pai de Scout e Jem. Mas veja bem, estamos num Estados Unidos durante a segunda Guerra Mundial quando os direitos das minorias (mulheres e negros, neste caso) estavam começando a despontar.

A ética e a moral de Atticus é a referência para os personagens e suas ações fazem com que as pessoas dessa cidade pequena, reflitam sobre a humanidade e as decisões que tem que tomar. Um dos acontecimentos centrais do livro é o julgamento de Tom Robison, cidadão afro-descendente, de quem Atticus é o advogado de defesa por determinação do juiz.

E por  causa disso a as crianças começam a 

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Imagem do filme com Gregory Peck e Brock Peters

escutar que seu pai é um “nigger lover”, mesmo sem entender exatamente o que isso quer dizer, Scout e Jem se vêem forçados a defender a honra de Atticus. A partir de então, acontecem uma série de cenas evidenciando o preconceito e a maneira como Scout (de seis anos de idade) processa essa informação.

A acusação a Tom Robison é que ele estuprou a uma moça, branca. Mas Atticus, vai provar que essa acusação é uma fachada apenas para acobertar os maus tratos que ela recebeu de seu pai, o bêbado da cidade, por tê-la flagrado em dar em cima de Robison. Apesar de tudo ter ficado evidenciado – pois não existem provas – o réu é condenado e morre ao tentar escapar da prisão.

Cada um dos personagens são complexos, táteis, com amores, ódios, paixões e desgostos. São gente de verdade, com quem você se pega conversando, discutindo e refletindo. Personagens tridimensionais com suas oscilações de caráter, ética e moral.

Mas como não podia deixar de ser – e para que nós, leitores, também tenhamos um desfecho satisfatório, Lee Harper nos presenteia com a justiça divina, que chega de forma surpreendente e inesperada, como que dizendo: “a justiça tarda mas não falha”.6

Apesar de ter sido publicado em 1960, To kill a Mockingbird rapidamente se transformou em um clássico e importante instrumento de reflexão em relação ao racismo, estupro, empatia e justiça e precisamente por isso continua sendo tremendamente atual.

Fico feliz de que meu filho e eu possamos discutir e refletir de maneira madura sobre assuntos que são tão delicados e tão urgentes de pensamentos.
To kill a Mockingbird foi traduzido pro português como “O Sol é para todos” e tem o filme correspondente com o mesmo título em que atuam Gregory Peck e Robert Duvall.

 

“Só existe um tipo de gente: gente”

“As pessoas sensatas não se orgulham de seus dotes naturais”

“Quando crescer, todos os dias você verá brancos ludibriando negros, mas deixe-me dizer uma coisa e não se esqueça disso: seempre que um branco trata um negro dessa forma, não importa quem seja ele, o seu grau de riqueza ou linhagem de sua família, esse homem é lixo”

“Não se sinta ofendida quando alguém lhe disser uma expressão feia. Isso não deve atingi-la, apenas revela a pobreza de quem falou”.

“Antes de poder viver com os outros, eu tenho que poder viver comigo mesmo. A consciência de um indivíduo não deve subordinar-se a lei da maioria”

“you just hold your head high and keep those fists down. No matter what anybody says to you, don’t let them get your goat. Try fighting with your head for a change … it’s a good one, even if it does resist learning.”

 

O Beijo - escultura em Mármore  August Rodin
Musée Rodin – Paris

Pois é:
O amor e o começo?…
O amor nos vira do avesso.
Tanta gente sabe muito
E ninguém diz o que peço
Nem minha boca me obedece
E beija com volúpia e desejo
Beija com a sede
Ávida mesmo
De virar tudo do avesso!

Viviane Lago

A Menina no Kimono Branco

Girl in a white Kimono 1894
George Hendrik Breitner – Rijksmuseum.

Essa menina possui algo de vazio ou alheio.

Algo entre não quero escutar e deixem-me em paz. Como se um sentimento adolescente tomasse conta da cena e ela estivesse saindo de uma discussão longa, pior que um sermão de domingo da igreja. Provavelmente a briga era com a mãe, que a dizia: “Você tem que provar essa roupa e se arrumar para sairmos, hoje você vai conhecer o seu futuro noivo” e ela, apesar de obedecer, se sente insatisfeita e para de escutar tudo o que veio depois de ‘futuro noivo’ e se joga no futón coberto com almofadas de sedas Valencianas e algodão egípcios da entrada da sala dos anfitriões. Ela tampa-se as orelhas para não ouvir mais a sua mãe, a música da festa, ou as besteiras das outras meninas – em uma atitude nada madura…(às vezes tenho vontade de fazer isso, mas os pensamentos não calam).

Evidentemente, este é um Kimono Japones que tem história e procedência. Ele  é de seda chinesa desenhado a mão pelas viúvas dos antigos Samurais, com detalhes vivos da primavera: pássaros e árvores que simbolizam a fartura e o recomeço. Ele foi comprado numa das ilhas Tokara do Japão por um velho negociante rico das Companhia das Indias Ocidentais; e ele escolheu essa peça de presente para sua futura noiva, na esperança do bom agouro de receber um sim; além de imaginar que ela ficaria estonteante dentro dele (o que realmente ficou).

Sem embargo, o noivo mal sabia que ela seria eternizada por uma terceira pessoa, um garoto que alimentava uma paixão platônica por ela, o filho do Miniaturista de sua irmã, com quem ela brincava na beira de um canal nas poucas manhãs de sol de Amsterdam.  E justamente ele , o filho do miniaturista – o garoto que reparava em tudo e falava tão pouco – estava passando quando ela se deixou cair no futón. Flagrado pela paixão da espontaneidade do gesto, ele ficou atrás de um biombo que decorava a entrada, só observando o que ela faria em seguida.  A menina tampouco se deu conta de que ele estava ali, fazendo rabiscos mentais, desenhando-a como um espião, ávido por absorver todos os detalhes de tamanha beleza. Poucos instantes mais tarde, durante o jantar, sua paixão seria arrebatada pelo anúncio da boda.

Sem se importar com o enlace, ele correu pra casa e fez uma dedicatória de amor com poucas palavras e da maneira como sabia: uma pintura de óleo em tela.

Eu sei que nem a metade do que está escrito aqui é verdade, mas foi o que a Menina sussurrou pra minha imaginação, e pra mim, isso já é o bastante.

E pra você, ela diz alguma coisa?

Pesadelos

Depois que todos dormiram, eu era apenas o eco dos meus pensamentos e o ruído dos meus dedos no teclado e só assim os sonhos eu que não quis, vieram até mim…..
.1997.

Imagem: Le Cauchemar – musée des Augustins- Toulouse.

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Orgulho e Preconceito – Jane Austen

Jane Austen - Orgulho e Preconceito
Editora Martin Claret 3a. Edição, Tradução de Jean Melville

Demorei muito em conhecer Jane Austen e quando comprei o livro, comprei com respeito e tinha altas expectativas sobre como seria a leitura: excesso de descrições, vocabulário rebuscado e frases invertidas. E a verdade é que tinha tudo isso. Mas por alguma razão eu não conseguia soltar o livro. Li tudo de uma vez.

Jane Austen não subestima a inteligência de seus leitores, pelas sutilezas, detalhes e seqüência de acontecimentos. Ela vai te conduzindo em cada uma das cenas com um desafio constante, como se fosse um exercício físico – não tenho certeza de como ela fez isso, mas sem dúvidas é fabuloso!

Nesse romance, Jane nos conta  a história de Elizabeth Bennet, uma garota simples, educada e apesar de ser sensata, julga equivocadamente a um rapaz, Sr. Darcy, nobre e esnobe e que cultiva sentimentos por ela.

Situado no século XIX, Orgulho e Preconceito retrata as dificuldades financeiras de uma família simples com cinco filhas e a necessidade de solucionar o futuro delas com um bom casamento. Também retrata com riqueza de detalhes de como elas devem se manter educadas, arrumadas e como se supõe que devem se comportar perante a sociedade.

A narrativa é onisciente e a protagonista vai revelando sucintamente seus sentimentos, pensamento e decisões entre os parágrafos. Os diálogos são vivos, sinceros e dão a voz ao que os personagens sentem, revelam, desvelam, relatam e delatam toda razão e todo o sentimento de cada um eles evidenciando desejos ocultos, personalidades e carácter.

Filme: Orgulho e Preconceito

Não há razão pra duvidar de que este livro seja um clássico e quando terminei de ler senti ainda mais respeito pelo livro e pela autora ao refletir sobre suas condições e seu estilo de vida.

Esse título, Pride and Prejudice, tem adaptações pro cinema e a que eu conheço, atuam a  Keira Knightley e  Matthew Macfadyen. Também foi inspiração para e programas de televisão, teatro e literatura.

O meu lago

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Foto by Viviane Lago – Paris 2013

 

O Lago que há em mim, transbordou e me inundou. Vivi! Porque este é o meu nome.
E na seca tudo mingüou. E Vivi! Porque assim eu sou.
Quando chove, o Lago fica trêmulo da explosão das gotas e estou dentro dele e ainda Vivi!
Porque é nas tempestades com relâmpagos quando me torno mais calma e cheia de mim….
Vivi, assim mesmo!

 

 

Dancing

 

In the moment between my breath in and my breath out, I like54c98a8c59e5e6b0d81ce7d6e0f832c8 to hear the silence of my mind; in this brief second I can be myself, freely, fiercely calmly. But sadly, this moment this doesn’t happened often enough to straight me out! So I have to be this dancer in the movement of the echo of myself blended with the world’s rustles.

Madame Bovary

Some times I think, every woman has a touch of her; maybe in despair, maybe in naive, maybe in betrayal, maybe in vanity, maybe in heart emptiness and maybe, just maybe.

She is a seducer. Unhappily, perspicacious, dreamer. From being a good wife, to a mundane.madame-bovary-lendo there is a laps of a moment that everything just turned around. And her life transformed into something else. She is entirely selfish, no doubt of that – but aren’t we all, somehow, but our lives don’t slip way from our finger, do they?

She had had some impact over me. I didn’t like the book at all. Heavy literature. Heavy descriptions. However, Flaubert was precise in show the nature of this woman. And the consequences of her actions.

I can not stop think about the daughter, who had had everything and all the sudden, had to work in the cotton fields…. What a sad end!

Palavras e Borboletas

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Borboletas são como palavras: saem por aí bisbilhotando as flores mais lindas e logo distribuem a essência de beleza, magia e encanto.  Conta a lenda que elas eram pétalas de uma linda flor e um dia se apaixonou perdidamente pelo vento. Ora, mais nem sempre o vento passava por ali. E a cada manhã quando se despertava com o ar parado, suas lágrimas de orvalho escorriam pelas folhagens. Certo dia, logo depois que o Sol nasceu e viu seu sofrimento, se apiedou dela, lançando, assim, um raio mágico em que ela ganhou vida e pode valsar com vento. E desde então, elas, as borboletas, podem encantar aos apaixonados com apenas um arrebate de alas.  Sim! Borboletas são seres curiosos, mágicos, belos, encantados e apaixonantes. Precisamente como a poesia, o conto e histórias que estarão aqui.

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