Não há conhecimento mais irrelevante em se saber quem se é.
E não há mudança que nos afete em essência.
Nem rio que passa,
Nem choro que arrasa.
Nem chuva que lava
Essa alma calada.
Nem amor que arremesse
Em outra galáxia.
O ser que ja foi
Ou alguém que será.
Porque não mudará.
A essência É, ESTÁ
E se há no mundo gente
Estranha ou diferente
Nem sei te falar…
Pode ser eu ou você
O vizinho ou o padeiro.
Porque no final,
Todo mundo tem
Uma historia pra contar.
Sorriso
Lembrei-me do meu sorriso infantil
O que tinha de puro e engraçado
Foi-se com o tempo, sumiu
Eu o tinha desperdiçado.
O sorriso mais lindo que existiu
Chorei então para esquecer
E o que eu sentia me consumiu
Aquele sorriso de ingênuo saber
Deixou de ser, desapareceu, esqueci,
A sabedoria me havia feito crescer.
E com ela tudo desaprendi….
E com o tempo esqueci de eu mesma de ser….
Brasília – 7 de março de 1991

O Sol é para Todos

Meu filho mais velho teve este livro como leitura obrigatória e eu me disponibilizei em ler junto com ele – em inglês mesmo. O resultado não podia ser outro senão uma mesa de jantar cheia de reflexões sobre este livro e seus assuntos (nada leves, nem superficiais).
Quando acabei de ler o livro tive a impressão de estar escutando uma menininha do interior dos Estados Unidos conversando comigo e me fazendo pensar sobre a vida – assim mesmo.
Toda a narrativa é feita em primeira pessoa e Scout, a protagonista, é uma garotinha de 6 a 7 anos de idade (a idade do meu filho mais novo) e que vai dando o seu parecer e ponto de vista para as situações que vão acontecendo no período de 1933 a 1935. Seu pai, Atticus um advogado de uma cidade pequena no Alabama, ensina a seus filhos (Scout e Jem) a ler e escrever antes de eles irem pra escola e quando chega o momento irem, eles provocam uma série de reações interessantes e inusitadas dentro da escola.

Porém o livro tem uma virada e os eventos que sucedem tem um desenrolar curioso. Os temas centrais do são o racismo, o estupro e a justiça – que será defendida com unhas e dentes pelo pai de Scout e Jem. Mas veja bem, estamos num Estados Unidos durante a segunda Guerra Mundial quando os direitos das minorias (mulheres e negros, neste caso) estavam começando a despontar.
A ética e a moral de Atticus é a referência para os personagens e suas ações fazem com que as pessoas dessa cidade pequena, reflitam sobre a humanidade e as decisões que tem que tomar. Um dos acontecimentos centrais do livro é o julgamento de Tom Robison, cidadão afro-descendente, de quem Atticus é o advogado de defesa por determinação do juiz.
E por causa disso a as crianças começam a

escutar que seu pai é um “nigger lover”, mesmo sem entender exatamente o que isso quer dizer, Scout e Jem se vêem forçados a defender a honra de Atticus. A partir de então, acontecem uma série de cenas evidenciando o preconceito e a maneira como Scout (de seis anos de idade) processa essa informação.
A acusação a Tom Robison é que ele estuprou a uma moça, branca. Mas Atticus, vai provar que essa acusação é uma fachada apenas para acobertar os maus tratos que ela recebeu de seu pai, o bêbado da cidade, por tê-la flagrado em dar em cima de Robison. Apesar de tudo ter ficado evidenciado – pois não existem provas – o réu é condenado e morre ao tentar escapar da prisão.
Cada um dos personagens são complexos, táteis, com amores, ódios, paixões e desgostos. São gente de verdade, com quem você se pega conversando, discutindo e refletindo. Personagens tridimensionais com suas oscilações de caráter, ética e moral.
Mas como não podia deixar de ser – e para que nós, leitores, também tenhamos um desfecho satisfatório, Lee Harper nos presenteia com a justiça divina, que chega de forma surpreendente e inesperada, como que dizendo: “a justiça tarda mas não falha”.
Apesar de ter sido publicado em 1960, To kill a Mockingbird rapidamente se transformou em um clássico e importante instrumento de reflexão em relação ao racismo, estupro, empatia e justiça e precisamente por isso continua sendo tremendamente atual.
Fico feliz de que meu filho e eu possamos discutir e refletir de maneira madura sobre assuntos que são tão delicados e tão urgentes de pensamentos.
To kill a Mockingbird foi traduzido pro português como “O Sol é para todos” e tem o filme correspondente com o mesmo título em que atuam Gregory Peck e Robert Duvall.
“Só existe um tipo de gente: gente”
“As pessoas sensatas não se orgulham de seus dotes naturais”
“Quando crescer, todos os dias você verá brancos ludibriando negros, mas deixe-me dizer uma coisa e não se esqueça disso: seempre que um branco trata um negro dessa forma, não importa quem seja ele, o seu grau de riqueza ou linhagem de sua família, esse homem é lixo”
“Não se sinta ofendida quando alguém lhe disser uma expressão feia. Isso não deve atingi-la, apenas revela a pobreza de quem falou”.
“Antes de poder viver com os outros, eu tenho que poder viver comigo mesmo. A consciência de um indivíduo não deve subordinar-se a lei da maioria”
… “you just hold your head high and keep those fists down. No matter what anybody says to you, don’t let them get your goat. Try fighting with your head for a change … it’s a good one, even if it does resist learning.”

Pois é:
O amor e o começo?…
O amor nos vira do avesso.
Tanta gente sabe muito
E ninguém diz o que peço
Nem minha boca me obedece
E beija com volúpia e desejo
Beija com a sede
Ávida mesmo
De virar tudo do avesso!
Viviane Lago
A Menina no Kimono Branco

Essa menina possui algo de vazio ou alheio.
Algo entre não quero escutar e deixem-me em paz. Como se um sentimento adolescente tomasse conta da cena e ela estivesse saindo de uma discussão longa, pior que um sermão de domingo da igreja. Provavelmente a briga era com a mãe, que a dizia: “Você tem que provar essa roupa e se arrumar para sairmos, hoje você vai conhecer o seu futuro noivo” e ela, apesar de obedecer, se sente insatisfeita e para de escutar tudo o que veio depois de ‘futuro noivo’ e se joga no futón coberto com almofadas de sedas Valencianas e algodão egípcios da entrada da sala dos anfitriões. Ela tampa-se as orelhas para não ouvir mais a sua mãe, a música da festa, ou as besteiras das outras meninas – em uma atitude nada madura…(às vezes tenho vontade de fazer isso, mas os pensamentos não calam).
Evidentemente, este é um Kimono Japones que tem história e procedência. Ele é de seda chinesa desenhado a mão pelas viúvas dos antigos Samurais, com detalhes vivos da primavera: pássaros e árvores que simbolizam a fartura e o recomeço. Ele foi comprado numa das ilhas Tokara do Japão por um velho negociante rico das Companhia das Indias Ocidentais; e ele escolheu essa peça de presente para sua futura noiva, na esperança do bom agouro de receber um sim; além de imaginar que ela ficaria estonteante dentro dele (o que realmente ficou).
Sem embargo, o noivo mal sabia que ela seria eternizada por uma terceira pessoa, um garoto que alimentava uma paixão platônica por ela, o filho do Miniaturista de sua irmã, com quem ela brincava na beira de um canal nas poucas manhãs de sol de Amsterdam. E justamente ele , o filho do miniaturista – o garoto que reparava em tudo e falava tão pouco – estava passando quando ela se deixou cair no futón. Flagrado pela paixão da espontaneidade do gesto, ele ficou atrás de um biombo que decorava a entrada, só observando o que ela faria em seguida. A menina tampouco se deu conta de que ele estava ali, fazendo rabiscos mentais, desenhando-a como um espião, ávido por absorver todos os detalhes de tamanha beleza. Poucos instantes mais tarde, durante o jantar, sua paixão seria arrebatada pelo anúncio da boda.
Sem se importar com o enlace, ele correu pra casa e fez uma dedicatória de amor com poucas palavras e da maneira como sabia: uma pintura de óleo em tela.
Eu sei que nem a metade do que está escrito aqui é verdade, mas foi o que a Menina sussurrou pra minha imaginação, e pra mim, isso já é o bastante.
E pra você, ela diz alguma coisa?
Pesadelos
Depois que todos dormiram, eu era apenas o eco dos meus pensamentos e o ruído dos meus dedos no teclado e só assim os sonhos eu que não quis, vieram até mim…..
.1997.
Imagem: Le Cauchemar – musée des Augustins- Toulouse.

Orgulho e Preconceito – Jane Austen

Demorei muito em conhecer Jane Austen e quando comprei o livro, comprei com respeito e tinha altas expectativas sobre como seria a leitura: excesso de descrições, vocabulário rebuscado e frases invertidas. E a verdade é que tinha tudo isso. Mas por alguma razão eu não conseguia soltar o livro. Li tudo de uma vez.
Jane Austen não subestima a inteligência de seus leitores, pelas sutilezas, detalhes e seqüência de acontecimentos. Ela vai te conduzindo em cada uma das cenas com um desafio constante, como se fosse um exercício físico – não tenho certeza de como ela fez isso, mas sem dúvidas é fabuloso!
Nesse romance, Jane nos conta a história de Elizabeth Bennet, uma garota simples, educada e apesar de ser sensata, julga equivocadamente a um rapaz, Sr. Darcy, nobre e esnobe e que cultiva sentimentos por ela.
Situado no século XIX, Orgulho e Preconceito retrata as dificuldades financeiras de uma família simples com cinco filhas e a necessidade de solucionar o futuro delas com um bom casamento. Também retrata com riqueza de detalhes de como elas devem se manter educadas, arrumadas e como se supõe que devem se comportar perante a sociedade.
A narrativa é onisciente e a protagonista vai revelando sucintamente seus sentimentos, pensamento e decisões entre os parágrafos. Os diálogos são vivos, sinceros e dão a voz ao que os personagens sentem, revelam, desvelam, relatam e delatam toda razão e todo o sentimento de cada um eles evidenciando desejos ocultos, personalidades e carácter.

Não há razão pra duvidar de que este livro seja um clássico e quando terminei de ler senti ainda mais respeito pelo livro e pela autora ao refletir sobre suas condições e seu estilo de vida.
Esse título, Pride and Prejudice, tem adaptações pro cinema e a que eu conheço, atuam a Keira Knightley e Matthew Macfadyen. Também foi inspiração para e programas de televisão, teatro e literatura.
O meu lago

O Lago que há em mim, transbordou e me inundou. Vivi! Porque este é o meu nome.
E na seca tudo mingüou. E Vivi! Porque assim eu sou.
Quando chove, o Lago fica trêmulo da explosão das gotas e estou dentro dele e ainda Vivi!
Porque é nas tempestades com relâmpagos quando me torno mais calma e cheia de mim….
Vivi, assim mesmo!
Dancing
In the moment between my breath in and my breath out, I like
to hear the silence of my mind; in this brief second I can be myself, freely, fiercely calmly. But sadly, this moment this doesn’t happened often enough to straight me out! So I have to be this dancer in the movement of the echo of myself blended with the world’s rustles.
Madame Bovary
Some times I think, every woman has a touch of her; maybe in despair, maybe in naive, maybe in betrayal, maybe in vanity, maybe in heart emptiness and maybe, just maybe.
She is a seducer. Unhappily, perspicacious, dreamer. From being a good wife, to a mundane.
there is a laps of a moment that everything just turned around. And her life transformed into something else. She is entirely selfish, no doubt of that – but aren’t we all, somehow, but our lives don’t slip way from our finger, do they?
She had had some impact over me. I didn’t like the book at all. Heavy literature. Heavy descriptions. However, Flaubert was precise in show the nature of this woman. And the consequences of her actions.
I can not stop think about the daughter, who had had everything and all the sudden, had to work in the cotton fields…. What a sad end!
Palavras e Borboletas

Borboletas são como palavras: saem por aí bisbilhotando as flores mais lindas e logo distribuem a essência de beleza, magia e encanto. Conta a lenda que elas eram pétalas de uma linda flor e um dia se apaixonou perdidamente pelo vento. Ora, mais nem sempre o vento passava por ali. E a cada manhã quando se despertava com o ar parado, suas lágrimas de orvalho escorriam pelas folhagens. Certo dia, logo depois que o Sol nasceu e viu seu sofrimento, se apiedou dela, lançando, assim, um raio mágico em que ela ganhou vida e pode valsar com vento. E desde então, elas, as borboletas, podem encantar aos apaixonados com apenas um arrebate de alas. Sim! Borboletas são seres curiosos, mágicos, belos, encantados e apaixonantes. Precisamente como a poesia, o conto e histórias que estarão aqui.

