Saudades do meu pai

Callado pero presente

No hablaba pero decíaIMG_4722

Porque fuerza en la mirada él tenía.

Y era alrededor de la mesa

Donde todo pasaba

Por la mañanas nos despertaba

Con los rompantes de Carmina Burana

O los pajaritos de Vivaldi, la Primavera

A fuerza nos culturizaba

Raiz cuadrada de dos le llamaban

Sus alumnos de vários años

Por la altura, nos decían.

Pero esas cosas ya no le importaban.

Se negó a los consejos del doctor

Y comia chorizo, vino, pan y solomillo

Y eso varios de vida le rindió.

Y ahora hace siete años que no está

Y la mesa está vazia

Hombre del pueblo que sabia los números

Y leía a la gente, simplemente porque

Fuerza en la mirada él tenía

Conoció cuatro de los cinco nietos,

Y se fue como quería:

Durmiendo en su cama quieto;

La cama de descanso de toda su vida.

Mis Colores

Lo que me tranquiliza las angustias

Es un comprimido de Sertralina.

¿Quien lo va a decir algo?

Si los colores oscuros de Rembrandt

Son lo que mi esencia domina?

El beso del café en la mañana fría

Calienta mis ideas y me despierta para el día

Pero solo después del abrazo de los niños

Que mi corazón tiembla y desatina.

Y así voy por las mañanas

Máscarandome en colores de Van Gogh

Llevando en la mirada Girasoles que marchitan,

Para mí, hay una vida oculta en las Noches Estrelladas

Es una idea profana, sagrada y escondida.

Minha boca

Faça da minha boca
Seu mais valioso cálice
E se no calar-se
Ainda clama,
E bebe-me a chama
Que é em si mesmo
O próprio falar-se

Traz a mim a sua presença
E torna-me tua como se tua fosse,
Porque sou teu cálice,
Embebida inteira,
Deste amor doce.

 

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Foto: selfie Amsterdam

Grão por grão

A vida é um poema épico
Sem rima nem métrica
Simetria?
Ironia!
Escasso o tempo
Faço o vento lento sendo
grão
por
grão.

O passado é um castelo de areia
Desfeito pelo vento
do esquecimento.

Ilustração: Foto de Viviane Lago13254641_1043193669099943_6974100562154715360_o

Soneto das minhas lágrimas

As lágrimas transformam-se em cristal
Caem como pedra e naufragam feito nau
Dentro do mar de sentimento profundo
Eu descubro pouco da louca verdade deste mundo

E que o sentimento não me fale
Nem se quebre por necessidade
Mas que atinja seu objetivo, para mim já vale
Porque permitiu a mim ver esta verdade.

Então os olhos calam fechados, molhados, dormidos
E esquecidos do conhecer
São olhares tristes, pesados olhares queridos

É assim que quero deles saber.
Porque mesmo tristes, são meus, são lindos
Tudo que vi, esqueci, lembrei e não posso mais escrever.

 

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Vermeer – A menina do brinco de pérola

O Pranto murmura ao Silêncio
Com seu doce infinito sopro profundo
O Silêncio escuta e depois afirmando
Que o Pranto é solidão no seu próprio mundo
Este Pranto esquecido, apaixonado, vai se calando
Por um Coração sem medo, corajoso e absurdo
Vai achando que o Pranto na verdade está rindo
Ele ri da verdade gargalha de tudo
Sobre aquilo que é real, exposto e lindo.

E o silêncio outra vez, fica mudo

 

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Rembrandt – Philosopher Meditation leyenda

Ideias pela metade

Se tão só fosse todo mundo
Quanto egoísmo existira?
Qual amor que eu sentisse teria?
Nesse meu fantástico absurdo?

Patética esta hipotética de vida
Sem esquecer a pessoa que não somos.
Mas com toda força queremos sê-la
Vivemos de uma irrealidade perdida

Pelo que têm as pessoas
Como reconhecer tanta mediocridade
Indubitável, bonito e incerto (?)
Crônica essa estrofe com ideias pela metade.

Ilustração: Foto de Viviane Lago

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Sou tua

Que impreciso é este momento
Lê-lo com todo seu acento
Reconhecer o meu herói no entanto
Ser a tua mulher dos dias em seu bravo espanto.

Há tantas coisa a falar
(e o que dizer?)
Hei de mostrar, será?

Não quero falar deste instante
A minha glória é só pensar
— …. —- direi, certamente direi
Nos momentos voluptuosos do beijar.

Direi timidamente num sussurro
— …. —- direi!
A força de falar e dizer olhando nos seus olhos:
Estou aqui.
No momento de outro momento.
Neste instante do meu tempo.
Sou tua e estou aqui.

Ilustração: Rodin – o Beijo

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Morrer de Amor

Já ousei rabiscar
Versos apaixonados
Apenas um irei recitar
Esperando te deixar calado
Esperando acertar
neste teu jeito complicado
Com olhar elaborado
E estilo sofisticado.

E eu vou sussurrar
Baixinho ao teu ouvido
Suspirando sem saber
Que bicho tinha mordido
E afogada nos teus beijos
Eu me deixo, de amor,
…………………………………… morrer.
20 de agosto de 1990

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Psiché reanimada pelo beijo do Amor (1787-1793), de Antonio Canova. – Louvre

Saudades infinitas

Tomo como base o amor infinito
Que é uma breve fase e é isso que acredito.
Estamos distantes
Sem ter uma partida
Vejo tudo de longe,
Mas sei que te sou querida.

1995

O Homem Absurdo

 

Tudo o que se repudia
Traz-se com a própria alma
E atrai-se tudo que não queria
Fica aquilo tudo que é sem calma

Águas frias que corren em veias
Gelam tudo que se preza e ela mata
O corpo, o coração e almas feias
Torna-se objeto e mesmo assim abstrata

Trata se fosse gente
É alma, não corpo
Se fosse corpo seria quente
Mas é o nada, ainda torto
Absorto farto que cala
Sala em sela fala em nada
traga seu absoluto
Luto do infindo eterno salto
Morte no norte forte finda
A mente sente tudo ainda
Pensa, cansa, dança Fala
Grita forte:

Sem ou cem vem ou vêm
Homem absurdo
Infinito eterno a terra o tem!

Ilustração: Vincent Van Gogh – Caveira com cigarro aceso

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O que esvai

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Salvador Dalí

É claro que o tempo passa,
Esvai, escorre, anda, voa, se perde….
Mas o passado se refaz em lembrança
De que eu nunca me ousei lembrar
Nem esquecer
O tempo se mantém na neutralidade.
Esta neutralidade de viver. 

    O mais simples e mero existir.

 

Sempre sua, A Loucura

Você sabe quem eu sou!
Sou aquele momento de paixão
Aquele momento de volúpia

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Sou o beijo doce
Sou o verso lido
Ou o romance vivido
Sou o toque na pele
Sou pura libido

Tomei conta dos pensamentos
Rejo os sentimentos
E mostro a rosa dos ventos.
Sou a verdade caprichosa
E você bem sabe.
Assino aqui:
Sempre tua,
A Loucura

O Toque

Molhado são seus olhos,
Aqueles que me beijam
Sem ao menos me tocar
Sinto em minha boca suas úmidas palavras
Que não deixam seca
A boca que por ti tenta aclamar.

Com palavras simples,
Digo o que não quero
Porque o que quero
Não se encontra no meu escasso vocabular.

Continuas a beijar-me
Com seu molhado olhar,
Que me atormenta,
Que me abala
E respondo sem que queira,
porque é como a beira
A beira de um rio
que sem nem tocar,
Sinto a água me tocar
Deliciando-me no lembrar
O toque da água a me encharcar….

 

Viviane Lago

Brasília.1989.

O moinho de Mondrian

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Piet Mondrian

Sabe o cara que desenhou os quadrados coloridos e inspirou um monte de gente, não só outros pintores, como também arquitetos? O nome dele é Mondrian (Piet Cornelis Mondrian). Un pintor holandês que ficou famoso no começo do século passado.

E claro, que como outros artistas, Mondrian tem obras que não são muito conhecidas. E é precisamente deste moinho, não tão conhecido que eu quero falar.

Este quadro, que chama Windmill, faz parte da exposição permanente do Stadlijk Museum. E quando a vi tentei identificar o que exatamente estava acontecendo. Sabe, tem obras de arte que te chamam, te convidam a serem apreciadas com mais carinho. E esse moinho foi me disse algo que eu precisava escutar.

Algo como: “Vem comigo, sente-se ao meu lado e deixe as coisas pra lá; o sol já está se pondo e mesmo que se ponha todos os dias, você ainda pode se admirar, porque não existe um dia como o outro. E nada melhor do que o tempo para colecionar “pores de sol”. Vem, fica aqui comigo”. E assim fui ficando ali, tentando esgotar todos os ângulos de apreciação.

Observe que o moinho parece que toma vida como o de Dom Quixote de La Mancha. Os traços no chão me fazem sentir o vento soprando fazendo a paisagem entrar em movimento.

E ali atrás de uma nuvem, se pode vislumbrar o sol se pondo e umas pontinhas de céu azul muito timidamente, porque as nuvens formam uma harmonia craquelada como se quisesse descascar da paisagem e deixar vislumbrar o céu azul.

E se eu fechar os olhos, consigo ver as pás girando e escutar o vento zumbindo e sentir o arrepeio do vento frio que vem trazendo uma noite cheia de sonhos.

Quem mora em Amterdam, sabe o valor que têm o sol e o céu azul e como é importante manter guardado as memórias de calor, providas durante a primavera e verão. E daí, se você pensar que em uma época em que as fotografias eram raras e as viagens longas e definitivamente caras e um dos seus mais preciosos recursos eram lembrança, poderemos entender a importância do pintor.

Destino

Um dia estaremos tão unidos e seremos tão fortes,
Que nenhuma força – superior ou inferior
Conseguirá nos separar.
Simplesmente porque nos o que uniu e nos tornou tão fortes,
Foi o AMOR,
O único capaz de mudar nossos destinos.
VL

Ilustração: Salvador Dalí – “Metamorfosis de angeles en mariposa”

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Salvador Dalí – “Metamorfosis de angeles en mariposa”

 

 

Uma história pra contar

Não há conhecimento mais irrelevante em se saber quem se é.
E não há mudança que nos afete em essência.
Nem rio que passa,
Nem choro que arrasa.
Nem chuva que lava
Essa alma calada.
Nem amor que arremesse
Em outra galáxia.
O ser que ja foi
Ou alguém que será.
Porque não mudará.
A essência É, ESTÁ
E se há no mundo gente
Estranha ou diferente
Nem sei te falar…
Pode ser eu ou você
O vizinho ou o padeiro.
Porque no final,
Todo mundo tem
Uma historia pra contar.

Sorriso

Lembrei-me do meu sorriso infantil
O que tinha de puro e engraçado
Foi-se com o tempo, sumiu
Eu o tinha desperdiçado.
O sorriso mais lindo que existiu
Chorei então para esquecer
E o que eu sentia me consumiu
Aquele sorriso de ingênuo saber
Deixou de ser, desapareceu, esqueci,
A sabedoria me havia feito crescer.
E com ela tudo desaprendi….
E com o tempo esqueci de eu mesma de ser….
Brasília – 7 de março de 1991

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Velasquez – As Meninas – Museu do Prado Madrid

O Sol é para Todos


 

capa do livro

Meu filho mais velho teve este livro como leitura obrigatória e eu me disponibilizei em ler junto com ele – em inglês mesmo. O resultado não podia ser outro senão uma mesa de jantar cheia de reflexões sobre este livro e seus assuntos (nada leves, nem superficiais).

Quando acabei de ler o livro tive a impressão de estar escutando uma menininha do interior dos Estados Unidos conversando comigo e me fazendo pensar sobre a vida – assim mesmo.

Toda a narrativa é feita em primeira pessoa e Scout, a protagonista, é uma garotinha de 6 a 7 anos de idade (a idade do meu filho mais novo) e que vai dando o seu parecer e ponto de vista para as situações que vão acontecendo no período de 1933 a 1935. Seu pai, Atticus um advogado de uma cidade pequena no Alabama, ensina a seus filhos (Scout e Jem) a ler e escrever antes de eles irem pra escola e quando chega o momento irem, eles provocam uma série de reações interessantes e inusitadas dentro da escola.

Lee Harper (1926 - 2016)
Escritora de To kill a Mockingbird

Porém o livro tem uma virada e os eventos que sucedem tem um desenrolar curioso. Os temas centrais do são o racismo, o estupro e a justiça – que será defendida com unhas e dentes pelo pai de Scout e Jem. Mas veja bem, estamos num Estados Unidos durante a segunda Guerra Mundial quando os direitos das minorias (mulheres e negros, neste caso) estavam começando a despontar.

A ética e a moral de Atticus é a referência para os personagens e suas ações fazem com que as pessoas dessa cidade pequena, reflitam sobre a humanidade e as decisões que tem que tomar. Um dos acontecimentos centrais do livro é o julgamento de Tom Robison, cidadão afro-descendente, de quem Atticus é o advogado de defesa por determinação do juiz.

E por  causa disso a as crianças começam a 

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Imagem do filme com Gregory Peck e Brock Peters

escutar que seu pai é um “nigger lover”, mesmo sem entender exatamente o que isso quer dizer, Scout e Jem se vêem forçados a defender a honra de Atticus. A partir de então, acontecem uma série de cenas evidenciando o preconceito e a maneira como Scout (de seis anos de idade) processa essa informação.

A acusação a Tom Robison é que ele estuprou a uma moça, branca. Mas Atticus, vai provar que essa acusação é uma fachada apenas para acobertar os maus tratos que ela recebeu de seu pai, o bêbado da cidade, por tê-la flagrado em dar em cima de Robison. Apesar de tudo ter ficado evidenciado – pois não existem provas – o réu é condenado e morre ao tentar escapar da prisão.

Cada um dos personagens são complexos, táteis, com amores, ódios, paixões e desgostos. São gente de verdade, com quem você se pega conversando, discutindo e refletindo. Personagens tridimensionais com suas oscilações de caráter, ética e moral.

Mas como não podia deixar de ser – e para que nós, leitores, também tenhamos um desfecho satisfatório, Lee Harper nos presenteia com a justiça divina, que chega de forma surpreendente e inesperada, como que dizendo: “a justiça tarda mas não falha”.6

Apesar de ter sido publicado em 1960, To kill a Mockingbird rapidamente se transformou em um clássico e importante instrumento de reflexão em relação ao racismo, estupro, empatia e justiça e precisamente por isso continua sendo tremendamente atual.

Fico feliz de que meu filho e eu possamos discutir e refletir de maneira madura sobre assuntos que são tão delicados e tão urgentes de pensamentos.
To kill a Mockingbird foi traduzido pro português como “O Sol é para todos” e tem o filme correspondente com o mesmo título em que atuam Gregory Peck e Robert Duvall.

 

“Só existe um tipo de gente: gente”

“As pessoas sensatas não se orgulham de seus dotes naturais”

“Quando crescer, todos os dias você verá brancos ludibriando negros, mas deixe-me dizer uma coisa e não se esqueça disso: seempre que um branco trata um negro dessa forma, não importa quem seja ele, o seu grau de riqueza ou linhagem de sua família, esse homem é lixo”

“Não se sinta ofendida quando alguém lhe disser uma expressão feia. Isso não deve atingi-la, apenas revela a pobreza de quem falou”.

“Antes de poder viver com os outros, eu tenho que poder viver comigo mesmo. A consciência de um indivíduo não deve subordinar-se a lei da maioria”

“you just hold your head high and keep those fists down. No matter what anybody says to you, don’t let them get your goat. Try fighting with your head for a change … it’s a good one, even if it does resist learning.”

 

Avesso

O Beijo - escultura em Mármore  August Rodin
Musée Rodin – Paris

Pois é:
O amor e o começo?…
O amor nos vira do avesso.
Tanta gente sabe muito
E ninguém diz o que peço
Nem minha boca me obedece
E beija com volúpia e desejo
Beija com a sede
Ávida mesmo
De virar tudo do avesso!

Viviane Lago

A Menina no Kimono Branco

Girl in a white Kimono 1894
George Hendrik Breitner – Rijksmuseum.

Essa menina possui algo de vazio ou alheio.

Algo entre não quero escutar e deixem-me em paz. Como se um sentimento adolescente tomasse conta da cena e ela estivesse saindo de uma discussão longa, pior que um sermão de domingo da igreja. Provavelmente a briga era com a mãe, que a dizia: “Você tem que provar essa roupa e se arrumar para sairmos, hoje você vai conhecer o seu futuro noivo” e ela, apesar de obedecer, se sente insatisfeita e para de escutar tudo o que veio depois de ‘futuro noivo’ e se joga no futón coberto com almofadas de sedas Valencianas e algodão egípcios da entrada da sala dos anfitriões. Ela tampa-se as orelhas para não ouvir mais a sua mãe, a música da festa, ou as besteiras das outras meninas – em uma atitude nada madura…(às vezes tenho vontade de fazer isso, mas os pensamentos não calam).

Evidentemente, este é um Kimono Japones que tem história e procedência. Ele  é de seda chinesa desenhado a mão pelas viúvas dos antigos Samurais, com detalhes vivos da primavera: pássaros e árvores que simbolizam a fartura e o recomeço. Ele foi comprado numa das ilhas Tokara do Japão por um velho negociante rico das Companhia das Indias Ocidentais; e ele escolheu essa peça de presente para sua futura noiva, na esperança do bom agouro de receber um sim; além de imaginar que ela ficaria estonteante dentro dele (o que realmente ficou).

Sem embargo, o noivo mal sabia que ela seria eternizada por uma terceira pessoa, um garoto que alimentava uma paixão platônica por ela, o filho do Miniaturista de sua irmã, com quem ela brincava na beira de um canal nas poucas manhãs de sol de Amsterdam.  E justamente ele , o filho do miniaturista – o garoto que reparava em tudo e falava tão pouco – estava passando quando ela se deixou cair no futón. Flagrado pela paixão da espontaneidade do gesto, ele ficou atrás de um biombo que decorava a entrada, só observando o que ela faria em seguida.  A menina tampouco se deu conta de que ele estava ali, fazendo rabiscos mentais, desenhando-a como um espião, ávido por absorver todos os detalhes de tamanha beleza. Poucos instantes mais tarde, durante o jantar, sua paixão seria arrebatada pelo anúncio da boda.

Sem se importar com o enlace, ele correu pra casa e fez uma dedicatória de amor com poucas palavras e da maneira como sabia: uma pintura de óleo em tela.

Eu sei que nem a metade do que está escrito aqui é verdade, mas foi o que a Menina sussurrou pra minha imaginação, e pra mim, isso já é o bastante.

E pra você, ela diz alguma coisa?

Pesadelos

Depois que todos dormiram, eu era apenas o eco dos meus pensamentos e o ruído dos meus dedos no teclado e só assim os sonhos eu que não quis, vieram até mim…..
.1997.

Imagem: Le Cauchemar – musée des Augustins- Toulouse.

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Orgulho e Preconceito – Jane Austen

Jane Austen - Orgulho e Preconceito
Editora Martin Claret 3a. Edição, Tradução de Jean Melville

Demorei muito em conhecer Jane Austen e quando comprei o livro, comprei com respeito e tinha altas expectativas sobre como seria a leitura: excesso de descrições, vocabulário rebuscado e frases invertidas. E a verdade é que tinha tudo isso. Mas por alguma razão eu não conseguia soltar o livro. Li tudo de uma vez.

Jane Austen não subestima a inteligência de seus leitores, pelas sutilezas, detalhes e seqüência de acontecimentos. Ela vai te conduzindo em cada uma das cenas com um desafio constante, como se fosse um exercício físico – não tenho certeza de como ela fez isso, mas sem dúvidas é fabuloso!

Nesse romance, Jane nos conta  a história de Elizabeth Bennet, uma garota simples, educada e apesar de ser sensata, julga equivocadamente a um rapaz, Sr. Darcy, nobre e esnobe e que cultiva sentimentos por ela.

Situado no século XIX, Orgulho e Preconceito retrata as dificuldades financeiras de uma família simples com cinco filhas e a necessidade de solucionar o futuro delas com um bom casamento. Também retrata com riqueza de detalhes de como elas devem se manter educadas, arrumadas e como se supõe que devem se comportar perante a sociedade.

A narrativa é onisciente e a protagonista vai revelando sucintamente seus sentimentos, pensamento e decisões entre os parágrafos. Os diálogos são vivos, sinceros e dão a voz ao que os personagens sentem, revelam, desvelam, relatam e delatam toda razão e todo o sentimento de cada um eles evidenciando desejos ocultos, personalidades e carácter.

Filme: Orgulho e Preconceito

Não há razão pra duvidar de que este livro seja um clássico e quando terminei de ler senti ainda mais respeito pelo livro e pela autora ao refletir sobre suas condições e seu estilo de vida.

Esse título, Pride and Prejudice, tem adaptações pro cinema e a que eu conheço, atuam a  Keira Knightley e  Matthew Macfadyen. Também foi inspiração para e programas de televisão, teatro e literatura.

O meu lago

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Foto by Viviane Lago – Paris 2013

 

O Lago que há em mim, transbordou e me inundou. Vivi! Porque este é o meu nome.
E na seca tudo mingüou. E Vivi! Porque assim eu sou.
Quando chove, o Lago fica trêmulo da explosão das gotas e estou dentro dele e ainda Vivi!
Porque é nas tempestades com relâmpagos quando me torno mais calma e cheia de mim….
Vivi, assim mesmo!

 

 

I am the daughter of the jungle…

I am daughter of the jungle, even if I had never been there. I know the smells, the textures, the dangerous, I know how to behave. I also can see subtleties and nuances, movements of tendencies. I can hear the moon,and feel in my skin the explosions in the sun. I can understand that nothing it is so definitive and so hard that’s going to take forever, as much as the river draw itself through the earth, and lapidating stones in such different formats, and such different ways, and it doesn’t matter how much, takes it, the river will get to the sea. And because of all that, I am an eternal student of the world itself. But I can’t stand by people, I can’t understand those who say one thing and do the other way around. I don’t understand the concept and practice of gossips. And this is the reason I commit to raise myself around a solid structure called family.You see, I don’t have roots – I mean, I do have them, – but as I travel a lot, I don’t raise myself roots. Which makes you wonder, but is there any place you feel like home? And yes…. there is – I feel the satisfaction of being in my house, reading books and writing stories. I find home wherever I can go with my husband and sons, and it doesn’t matter where this place is, because I am very comfortable in being with my thoughts. I like the silence, and my own voice telling me things. So my mind is also my home.

As a daughter of the jungle, I have another gift: I’m never alone. All things in the world collaborate to be a partner and a part of my life. And this way I am free. But as I was telling you before, I learned everything I know with my grandma. She was a unique pearl made through time, through people, through principles.

The most distant memory I have from her, she was already old, full of those wrinkles that mark well her path in the people’s life. It´s not she grow old after a while. Actually, she was already that when I was born, a solid tree, wrinkled and steady – full of wisdom – not books wisdoms – I repeat, she was the real deal.

 

And you have to comprehend that what I became was not over night, and there was never a lesson to teach. I learned all the secrets of the souls the way I was suppose. And this is very secrecy – like this brotherhoods – but it is how we learn in my family.

Dancing

 

In the moment between my breath in and my breath out, I like54c98a8c59e5e6b0d81ce7d6e0f832c8 to hear the silence of my mind; in this brief second I can be myself, freely, fiercely calmly. But sadly, this moment this doesn’t happened often enough to straight me out! So I have to be this dancer in the movement of the echo of myself blended with the world’s rustles.

Madame Bovary

Some times I think, every woman has a touch of her; maybe in despair, maybe in naive, maybe in betrayal, maybe in vanity, maybe in heart emptiness and maybe, just maybe.

She is a seducer. Unhappily, perspicacious, dreamer. From being a good wife, to a mundane.madame-bovary-lendo there is a laps of a moment that everything just turned around. And her life transformed into something else. She is entirely selfish, no doubt of that – but aren’t we all, somehow, but our lives don’t slip way from our finger, do they?

She had had some impact over me. I didn’t like the book at all. Heavy literature. Heavy descriptions. However, Flaubert was precise in show the nature of this woman. And the consequences of her actions.

I can not stop think about the daughter, who had had everything and all the sudden, had to work in the cotton fields…. What a sad end!

Palavras e Borboletas

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Borboletas são como palavras: saem por aí bisbilhotando as flores mais lindas e logo distribuem a essência de beleza, magia e encanto.  Conta a lenda que elas eram pétalas de uma linda flor e um dia se apaixonou perdidamente pelo vento. Ora, mais nem sempre o vento passava por ali. E a cada manhã quando se despertava com o ar parado, suas lágrimas de orvalho escorriam pelas folhagens. Certo dia, logo depois que o Sol nasceu e viu seu sofrimento, se apiedou dela, lançando, assim, um raio mágico em que ela ganhou vida e pode valsar com vento. E desde então, elas, as borboletas, podem encantar aos apaixonados com apenas um arrebate de alas.  Sim! Borboletas são seres curiosos, mágicos, belos, encantados e apaixonantes. Precisamente como a poesia, o conto e histórias que estarão aqui.

Fronteiras de mim

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Supero meus limites e mesmo assim ainda não atingi minhas fronteiras.