O Sol é para Todos


 

capa do livro

Meu filho mais velho teve este livro como leitura obrigatória e eu me disponibilizei em ler junto com ele – em inglês mesmo. O resultado não podia ser outro senão uma mesa de jantar cheia de reflexões sobre este livro e seus assuntos (nada leves, nem superficiais).

Quando acabei de ler o livro tive a impressão de estar escutando uma menininha do interior dos Estados Unidos conversando comigo e me fazendo pensar sobre a vida – assim mesmo.

Toda a narrativa é feita em primeira pessoa e Scout, a protagonista, é uma garotinha de 6 a 7 anos de idade (a idade do meu filho mais novo) e que vai dando o seu parecer e ponto de vista para as situações que vão acontecendo no período de 1933 a 1935. Seu pai, Atticus um advogado de uma cidade pequena no Alabama, ensina a seus filhos (Scout e Jem) a ler e escrever antes de eles irem pra escola e quando chega o momento irem, eles provocam uma série de reações interessantes e inusitadas dentro da escola.

Lee Harper (1926 - 2016)

Escritora de To kill a Mockingbird

Porém o livro tem uma virada e os eventos que sucedem tem um desenrolar curioso. Os temas centrais do são o racismo, o estupro e a justiça – que será defendida com unhas e dentes pelo pai de Scout e Jem. Mas veja bem, estamos num Estados Unidos durante a segunda Guerra Mundial quando os direitos das minorias (mulheres e negros, neste caso) estavam começando a despontar.

A ética e a moral de Atticus é a referência para os personagens e suas ações fazem com que as pessoas dessa cidade pequena, reflitam sobre a humanidade e as decisões que tem que tomar. Um dos acontecimentos centrais do livro é o julgamento de Tom Robison, cidadão afro-descendente, de quem Atticus é o advogado de defesa por determinação do juiz.

E por  causa disso a as crianças começam a 

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Imagem do filme com Gregory Peck e Brock Peters

escutar que seu pai é um “nigger lover”, mesmo sem entender exatamente o que isso quer dizer, Scout e Jem se vêem forçados a defender a honra de Atticus. A partir de então, acontecem uma série de cenas evidenciando o preconceito e a maneira como Scout (de seis anos de idade) processa essa informação.

A acusação a Tom Robison é que ele estuprou a uma moça, branca. Mas Atticus, vai provar que essa acusação é uma fachada apenas para acobertar os maus tratos que ela recebeu de seu pai, o bêbado da cidade, por tê-la flagrado em dar em cima de Robison. Apesar de tudo ter ficado evidenciado – pois não existem provas – o réu é condenado e morre ao tentar escapar da prisão.

Cada um dos personagens são complexos, táteis, com amores, ódios, paixões e desgostos. São gente de verdade, com quem você se pega conversando, discutindo e refletindo. Personagens tridimensionais com suas oscilações de caráter, ética e moral.

Mas como não podia deixar de ser – e para que nós, leitores, também tenhamos um desfecho satisfatório, Lee Harper nos presenteia com a justiça divina, que chega de forma surpreendente e inesperada, como que dizendo: “a justiça tarda mas não falha”.6

Apesar de ter sido publicado em 1960, To kill a Mockingbird rapidamente se transformou em um clássico e importante instrumento de reflexão em relação ao racismo, estupro, empatia e justiça e precisamente por isso continua sendo tremendamente atual.

Fico feliz de que meu filho e eu possamos discutir e refletir de maneira madura sobre assuntos que são tão delicados e tão urgentes de pensamentos.
To kill a Mockingbird foi traduzido pro português como “O Sol é para todos” e tem o filme correspondente com o mesmo título em que atuam Gregory Peck e Robert Duvall.

 

“Só existe um tipo de gente: gente”

“As pessoas sensatas não se orgulham de seus dotes naturais”

“Quando crescer, todos os dias você verá brancos ludibriando negros, mas deixe-me dizer uma coisa e não se esqueça disso: seempre que um branco trata um negro dessa forma, não importa quem seja ele, o seu grau de riqueza ou linhagem de sua família, esse homem é lixo”

“Não se sinta ofendida quando alguém lhe disser uma expressão feia. Isso não deve atingi-la, apenas revela a pobreza de quem falou”.

“Antes de poder viver com os outros, eu tenho que poder viver comigo mesmo. A consciência de um indivíduo não deve subordinar-se a lei da maioria”

“you just hold your head high and keep those fists down. No matter what anybody says to you, don’t let them get your goat. Try fighting with your head for a change … it’s a good one, even if it does resist learning.”

 

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