Minha boca

Faça da minha boca
Seu mais valioso cálice
E se no calar-se
Ainda clama,
E bebe-me a chama
Que é em si mesmo
O próprio falar-se

Traz a mim a sua presença
E torna-me tua como se tua fosse,
Porque sou teu cálice,
Embebida inteira,
Deste amor doce.

 

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Foto: selfie Amsterdam

Grão por grão

A vida é um poema épico
Sem rima nem métrica
Simetria?
Ironia!
Escasso o tempo
Faço o vento lento sendo
grão
por
grão.

O passado é um castelo de areia
Desfeito pelo vento
do esquecimento.

Ilustração: Foto de Viviane Lago13254641_1043193669099943_6974100562154715360_o