Saudades do meu pai

Callado pero presente

No hablaba pero decíaIMG_4722

Porque fuerza en la mirada él tenía.

Y era alrededor de la mesa

Donde todo pasaba

Por la mañanas nos despertaba

Con los rompantes de Carmina Burana

O los pajaritos de Vivaldi, la Primavera

A fuerza nos culturizaba

Raiz cuadrada de dos le llamaban

Sus alumnos de vários años

Por la altura, nos decían.

Pero esas cosas ya no le importaban.

Se negó a los consejos del doctor

Y comia chorizo, vino, pan y solomillo

Y eso varios de vida le rindió.

Y ahora hace siete años que no está

Y la mesa está vazia

Hombre del pueblo que sabia los números

Y leía a la gente, simplemente porque

Fuerza en la mirada él tenía

Conoció cuatro de los cinco nietos,

Y se fue como quería:

Durmiendo en su cama quieto;

La cama de descanso de toda su vida.

Minha boca

Faça da minha boca
Seu mais valioso cálice
E se no calar-se
Ainda clama,
E bebe-me a chama
Que é em si mesmo
O próprio falar-se

Traz a mim a sua presença
E torna-me tua como se tua fosse,
Porque sou teu cálice,
Embebida inteira,
Deste amor doce.

 

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Foto: selfie Amsterdam

Grão por grão

A vida é um poema épico
Sem rima nem métrica
Simetria?
Ironia!
Escasso o tempo
Faço o vento lento sendo
grão
por
grão.

O passado é um castelo de areia
Desfeito pelo vento
do esquecimento.

Ilustração: Foto de Viviane Lago13254641_1043193669099943_6974100562154715360_o

Soneto das minhas lágrimas

As lágrimas transformam-se em cristal
Caem como pedra e naufragam feito nau
Dentro do mar de sentimento profundo
Eu descubro pouco da louca verdade deste mundo

E que o sentimento não me fale
Nem se quebre por necessidade
Mas que atinja seu objetivo, para mim já vale
Porque permitiu a mim ver esta verdade.

Então os olhos calam fechados, molhados, dormidos
E esquecidos do conhecer
São olhares tristes, pesados olhares queridos

É assim que quero deles saber.
Porque mesmo tristes, são meus, são lindos
Tudo que vi, esqueci, lembrei e não posso mais escrever.

 

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Vermeer – A menina do brinco de pérola

O Pranto murmura ao Silêncio
Com seu doce infinito sopro profundo
O Silêncio escuta e depois afirmando
Que o Pranto é solidão no seu próprio mundo
Este Pranto esquecido, apaixonado, vai se calando
Por um Coração sem medo, corajoso e absurdo
Vai achando que o Pranto na verdade está rindo
Ele ri da verdade gargalha de tudo
Sobre aquilo que é real, exposto e lindo.

E o silêncio outra vez, fica mudo

 

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Rembrandt – Philosopher Meditation leyenda

Ideias pela metade

Se tão só fosse todo mundo
Quanto egoísmo existira?
Qual amor que eu sentisse teria?
Nesse meu fantástico absurdo?

Patética esta hipotética de vida
Sem esquecer a pessoa que não somos.
Mas com toda força queremos sê-la
Vivemos de uma irrealidade perdida

Pelo que têm as pessoas
Como reconhecer tanta mediocridade
Indubitável, bonito e incerto (?)
Crônica essa estrofe com ideias pela metade.

Ilustração: Foto de Viviane Lago

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Sou tua

Que impreciso é este momento
Lê-lo com todo seu acento
Reconhecer o meu herói no entanto
Ser a tua mulher dos dias em seu bravo espanto.

Há tantas coisa a falar
(e o que dizer?)
Hei de mostrar, será?

Não quero falar deste instante
A minha glória é só pensar
— …. —- direi, certamente direi
Nos momentos voluptuosos do beijar.

Direi timidamente num sussurro
— …. —- direi!
A força de falar e dizer olhando nos seus olhos:
Estou aqui.
No momento de outro momento.
Neste instante do meu tempo.
Sou tua e estou aqui.

Ilustração: Rodin – o Beijo

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Morrer de Amor

Já ousei rabiscar
Versos apaixonados
Apenas um irei recitar
Esperando te deixar calado
Esperando acertar
neste teu jeito complicado
Com olhar elaborado
E estilo sofisticado.

E eu vou sussurrar
Baixinho ao teu ouvido
Suspirando sem saber
Que bicho tinha mordido
E afogada nos teus beijos
Eu me deixo, de amor,
…………………………………… morrer.
20 de agosto de 1990

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Psiché reanimada pelo beijo do Amor (1787-1793), de Antonio Canova. – Louvre

Saudades infinitas

Tomo como base o amor infinito
Que é uma breve fase e é isso que acredito.
Estamos distantes
Sem ter uma partida
Vejo tudo de longe,
Mas sei que te sou querida.

1995

O Homem Absurdo

 

Tudo o que se repudia
Traz-se com a própria alma
E atrai-se tudo que não queria
Fica aquilo tudo que é sem calma

Águas frias que corren em veias
Gelam tudo que se preza e ela mata
O corpo, o coração e almas feias
Torna-se objeto e mesmo assim abstrata

Trata se fosse gente
É alma, não corpo
Se fosse corpo seria quente
Mas é o nada, ainda torto
Absorto farto que cala
Sala em sela fala em nada
traga seu absoluto
Luto do infindo eterno salto
Morte no norte forte finda
A mente sente tudo ainda
Pensa, cansa, dança Fala
Grita forte:

Sem ou cem vem ou vêm
Homem absurdo
Infinito eterno a terra o tem!

Ilustração: Vincent Van Gogh – Caveira com cigarro aceso

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O que esvai

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Salvador Dalí

É claro que o tempo passa,
Esvai, escorre, anda, voa, se perde….
Mas o passado se refaz em lembrança
De que eu nunca me ousei lembrar
Nem esquecer
O tempo se mantém na neutralidade.
Esta neutralidade de viver. 

    O mais simples e mero existir.

 

Sempre sua, A Loucura

Você sabe quem eu sou!
Sou aquele momento de paixão
Aquele momento de volúpia

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Sou o beijo doce
Sou o verso lido
Ou o romance vivido
Sou o toque na pele
Sou pura libido

Tomei conta dos pensamentos
Rejo os sentimentos
E mostro a rosa dos ventos.
Sou a verdade caprichosa
E você bem sabe.
Assino aqui:
Sempre tua,
A Loucura

O Toque

Molhado são seus olhos,
Aqueles que me beijam
Sem ao menos me tocar
Sinto em minha boca suas úmidas palavras
Que não deixam seca
A boca que por ti tenta aclamar.

Com palavras simples,
Digo o que não quero
Porque o que quero
Não se encontra no meu escasso vocabular.

Continuas a beijar-me
Com seu molhado olhar,
Que me atormenta,
Que me abala
E respondo sem que queira,
porque é como a beira
A beira de um rio
que sem nem tocar,
Sinto a água me tocar
Deliciando-me no lembrar
O toque da água a me encharcar….

 

Viviane Lago

Brasília.1989.

Destino

Um dia estaremos tão unidos e seremos tão fortes,
Que nenhuma força – superior ou inferior
Conseguirá nos separar.
Simplesmente porque nos o que uniu e nos tornou tão fortes,
Foi o AMOR,
O único capaz de mudar nossos destinos.
VL

Ilustração: Salvador Dalí – “Metamorfosis de angeles en mariposa”

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Salvador Dalí – “Metamorfosis de angeles en mariposa”

 

 

Uma história pra contar

Não há conhecimento mais irrelevante em se saber quem se é.
E não há mudança que nos afete em essência.
Nem rio que passa,
Nem choro que arrasa.
Nem chuva que lava
Essa alma calada.
Nem amor que arremesse
Em outra galáxia.
O ser que ja foi
Ou alguém que será.
Porque não mudará.
A essência É, ESTÁ
E se há no mundo gente
Estranha ou diferente
Nem sei te falar…
Pode ser eu ou você
O vizinho ou o padeiro.
Porque no final,
Todo mundo tem
Uma historia pra contar.

Sorriso

Lembrei-me do meu sorriso infantil
O que tinha de puro e engraçado
Foi-se com o tempo, sumiu
Eu o tinha desperdiçado.
O sorriso mais lindo que existiu
Chorei então para esquecer
E o que eu sentia me consumiu
Aquele sorriso de ingênuo saber
Deixou de ser, desapareceu, esqueci,
A sabedoria me havia feito crescer.
E com ela tudo desaprendi….
E com o tempo esqueci de eu mesma de ser….
Brasília – 7 de março de 1991

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Velasquez – As Meninas – Museu do Prado Madrid

Avesso

O Beijo - escultura em Mármore  August Rodin
Musée Rodin – Paris

Pois é:
O amor e o começo?…
O amor nos vira do avesso.
Tanta gente sabe muito
E ninguém diz o que peço
Nem minha boca me obedece
E beija com volúpia e desejo
Beija com a sede
Ávida mesmo
De virar tudo do avesso!

Viviane Lago

Pesadelos

Depois que todos dormiram, eu era apenas o eco dos meus pensamentos e o ruído dos meus dedos no teclado e só assim os sonhos eu que não quis, vieram até mim…..
.1997.

Imagem: Le Cauchemar – musée des Augustins- Toulouse.

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O meu lago

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Foto by Viviane Lago – Paris 2013

 

O Lago que há em mim, transbordou e me inundou. Vivi! Porque este é o meu nome.
E na seca tudo mingüou. E Vivi! Porque assim eu sou.
Quando chove, o Lago fica trêmulo da explosão das gotas e estou dentro dele e ainda Vivi!
Porque é nas tempestades com relâmpagos quando me torno mais calma e cheia de mim….
Vivi, assim mesmo!