Soneto das minhas lágrimas

As lágrimas transformam-se em cristal
Caem como pedra e naufragam feito nau
Dentro do mar de sentimento profundo
Eu descubro pouco da louca verdade deste mundo

E que o sentimento não me fale
Nem se quebre por necessidade
Mas que atinja seu objetivo, para mim já vale
Porque permitiu a mim ver esta verdade.

Então os olhos calam fechados, molhados, dormidos
E esquecidos do conhecer
São olhares tristes, pesados olhares queridos

É assim que quero deles saber.
Porque mesmo tristes, são meus, são lindos
Tudo que vi, esqueci, lembrei e não posso mais escrever.

 

13240594_1043224719096838_2272875160661417138_n
Vermeer – A menina do brinco de pérola

O Pranto murmura ao Silêncio
Com seu doce infinito sopro profundo
O Silêncio escuta e depois afirmando
Que o Pranto é solidão no seu próprio mundo
Este Pranto esquecido, apaixonado, vai se calando
Por um Coração sem medo, corajoso e absurdo
Vai achando que o Pranto na verdade está rindo
Ele ri da verdade gargalha de tudo
Sobre aquilo que é real, exposto e lindo.

E o silêncio outra vez, fica mudo

 

n

13340117_1047970518622258_8684441726522343741_o
Rembrandt – Philosopher Meditation leyenda

Ideias pela metade

Se tão só fosse todo mundo
Quanto egoísmo existira?
Qual amor que eu sentisse teria?
Nesse meu fantástico absurdo?

Patética esta hipotética de vida
Sem esquecer a pessoa que não somos.
Mas com toda força queremos sê-la
Vivemos de uma irrealidade perdida

Pelo que têm as pessoas
Como reconhecer tanta mediocridade
Indubitável, bonito e incerto (?)
Crônica essa estrofe com ideias pela metade.

Ilustração: Foto de Viviane Lago

 13198504_1043210745764902_1036747704588415141_o