
La señora del Lago Paranoá

Soy Viviane, la señora del Lago, la que forja y arregla a Excalibur (un bolígrafo cualquiera que utilice), que aprehende y traduce pensamientos en palabras que sé. No conozco a ningún rey Arturo, a ningún Lancelot, ni caballeros de la távola redonda. Pero sé donde está el grial y la verdad de lo que es.
El grial son pensamientos de las personas que se disuelven en el agua en donde nado.
Y nado dos mil metros cada día y no logro llegar a la otra margen de las ideas de mi Lago pues son más de las que Excalibur logra captar.
Callado pero presente
No hablaba pero decía
Porque fuerza en la mirada él tenía.
Y era alrededor de la mesa
Donde todo pasaba
Por la mañanas nos despertaba
Con los rompantes de Carmina Burana
O los pajaritos de Vivaldi, la Primavera
A fuerza nos culturizaba
Raiz cuadrada de dos le llamaban
Sus alumnos de vários años
Por la altura, nos decían.
Pero esas cosas ya no le importaban.
Se negó a los consejos del doctor
Y comia chorizo, vino, pan y solomillo
Y eso varios de vida le rindió.
Y ahora hace siete años que no está
Y la mesa está vazia
Hombre del pueblo que sabia los números
Y leía a la gente, simplemente porque
Fuerza en la mirada él tenía
Conoció cuatro de los cinco nietos,
Y se fue como quería:
Durmiendo en su cama quieto;
La cama de descanso de toda su vida.
Minha boca
Faça da minha boca
Seu mais valioso cálice
E se no calar-se
Ainda clama,
E bebe-me a chama
Que é em si mesmo
O próprio falar-se
Traz a mim a sua presença
E torna-me tua como se tua fosse,
Porque sou teu cálice,
Embebida inteira,
Deste amor doce.

Grão por grão
A vida é um poema épico
Sem rima nem métrica
Simetria?
Ironia!
Escasso o tempo
Faço o vento lento sendo
grão
por
grão.
O passado é um castelo de areia
Desfeito pelo vento
do esquecimento.
Ilustração: Foto de Viviane Lago
Soneto das minhas lágrimas
As lágrimas transformam-se em cristal
Caem como pedra e naufragam feito nau
Dentro do mar de sentimento profundo
Eu descubro pouco da louca verdade deste mundo
E que o sentimento não me fale
Nem se quebre por necessidade
Mas que atinja seu objetivo, para mim já vale
Porque permitiu a mim ver esta verdade.
Então os olhos calam fechados, molhados, dormidos
E esquecidos do conhecer
São olhares tristes, pesados olhares queridos
É assim que quero deles saber.
Porque mesmo tristes, são meus, são lindos
Tudo que vi, esqueci, lembrei e não posso mais escrever.

Ideias pela metade
Se tão só fosse todo mundo
Quanto egoísmo existira?
Qual amor que eu sentisse teria?
Nesse meu fantástico absurdo?
Patética esta hipotética de vida
Sem esquecer a pessoa que não somos.
Mas com toda força queremos sê-la
Vivemos de uma irrealidade perdida
Pelo que têm as pessoas
Como reconhecer tanta mediocridade
Indubitável, bonito e incerto (?)
Crônica essa estrofe com ideias pela metade.
Ilustração: Foto de Viviane Lago

Sou tua
Que impreciso é este momento
Lê-lo com todo seu acento
Reconhecer o meu herói no entanto
Ser a tua mulher dos dias em seu bravo espanto.
Há tantas coisa a falar
(e o que dizer?)
Hei de mostrar, será?
Não quero falar deste instante
A minha glória é só pensar
— …. —- direi, certamente direi
Nos momentos voluptuosos do beijar.
Direi timidamente num sussurro
— …. —- direi!
A força de falar e dizer olhando nos seus olhos:
Estou aqui.
No momento de outro momento.
Neste instante do meu tempo.
Sou tua e estou aqui.
Ilustração: Rodin – o Beijo

Morrer de Amor
Já ousei rabiscar
Versos apaixonados
Apenas um irei recitar
Esperando te deixar calado
Esperando acertar
neste teu jeito complicado
Com olhar elaborado
E estilo sofisticado.
E eu vou sussurrar
Baixinho ao teu ouvido
Suspirando sem saber
Que bicho tinha mordido
E afogada nos teus beijos
Eu me deixo, de amor,
…………………………………… morrer.
20 de agosto de 1990

Saudades infinitas
Tomo como base o amor infinito
Que é uma breve fase e é isso que acredito.
Estamos distantes
Sem ter uma partida
Vejo tudo de longe,
Mas sei que te sou querida.
1995


