Mariamaria

Meu olhar “Maria Maria” – #cronicaspaulistanas
Adoro buscar o molde da luz e da sombra.
Gosto dos sorrisos tímidos, abertos, dos sorrisos rasgados, sem graça, dos sorrisos que dizem e dos sorrisos que calam.
Porque quando fotografo, não se trata do sorriso, da forma ou do corpo.
Mas da atitude, da alma e das histórias que as pessoas carregam e transbordam em seus olhares, uma espécie de pequeno brilho no fundo do olho que se reflete num lapso de um suspiro.
Como o cara que viveu todos os preconceitos e não se amargou.
E a moça que acorda ás três da manhã e ainda tem que aguentar cantada de gente chata.
A tia que não se acha merecedora da atenção dos outros.
É tanta gente simples, linda, massa e que vai enchendo meu repertório de humanidade, resiliência, força e criatividade. Tanta gente que precisa de merecimento, aplausos e elogios. Que vivem Pois já são tantos tropeços, tantas adversidades, tantos desmerecimentos, que eventualmente, um sorriso, é a festa.
A vida não é fácil para nenhuma dessas pessoas e isso é fato consumado, assumido e tragado, tatuado ou engolido. Seja como for, seja onde for, há arraigado em minha gente essa marca que o Milton Nascimento chamou “Maria Maria” e que está empregnado no nosso sangue, entranhado na nossa alma, emaranhado nos sorrisos, mas principalmente, transparente pra mim quando eu os fotografo.

Suassuna, a doidura e Dom Quixote

Como o Suassuna, eu gosto de gente doida, (pela perspectiva diferente, genialidade, pelo lapso perdido que lhe fez abandonar o arrepio da realidade cruel). É! Mas sobretudo tenho uma admiração pelas pessoas que têm uma voracidade de conhecimento. Admiração por quem não pára de estudar, que não pára de se aperfeiçoar. Quem não se acomoda. Porque precisa de conhecimento para sua alma, precisa saber mais. São essas pessoas com quem me identifico. Porque sei que é assim onde encontro Dom Quixotes que tanto amo.

Catador de Papel

Crônicas Paulistanas
Logo que acordei olhei pela janela, num olhar perdido de curiosidade desajeitada esperando o dia dizer o que vai acontecer.
Daí reparei num catador de papel. Mas eu sempre reparo neles, manejando a carroça, procurando papelão nos cantos da cidade e irritando aos apressados do trânsito congestionado, também reparo nos irritados.
Pois bem, antes do catador, tenho que dizer que o dia amanheceu escuro de calor chuvoso, “garooso” (se assim posso falar), desses dias de São Paulo. Os sinais de trânsito na sua rotina abrindo e fechando em seu próprio tempo e os motoboys, igualmente, sem parar em sua próprio tempo e em sua própria lei.
E ali, estava ele: atravessando o sinal, sem se preocupar com nada disso, nem com o fluxo de veículos, nem com a chuva, nem talvez com sua vida, ele estava atrapalhando o trânsito (diferente do que canta o Chico), ia andando, devagar e sem sapatos. Ajeitando o peso, abaixando e subindo a alavanca da carroça e dando dois passos de cada vez, e logo tudo de novo: se ajeitava, subia, baixava caminhava e assim ele se foi até eu o perder de vista. Como uma canoa de pesca entrando em tempestade alto mar.
Dei um gole na minha água e engoli seco tentando entender: ele faz tudo isso e sem sapatos? Mas como? Será a sua necessidade mais que básica de sobrevivência em catar os papéis alheios antes de calçar-se pro mundo?
Assim fiquei olhando pela janela, com resto de água no meu copo e a bofetada descalça me dando bom dia.

Silêncios

It was within the silences that I understood better those meaningless words and they reverberated, screamed and choked on me for a long time (both before and after) those meetings.

Inexorável

Depois de tudo, há em minha cabeça mundos paralelos que precisam de vazão, eles requerem escorrer para dar lugar a outras loucuras que vou inventando, moldando e inexoravelmente me apaixonando.
After all, there are parallel worlds in my head that need an outlet, they require drainage to give way to other follies that I’m inventing, shaping and inexorably falling in love with.

Nas Maravilhas…

Era bem verdade que o Chapeleiro era maluco e a ensinou o ritual do chá e sem querer disse que a felicidade era um estado de contentamento fugaz que todos tentam agarrar. Mas “felicidade” pra ela era, às vezes, uma palavra vazia, outras um chocolate, quizás uma taça de vinho… Eventualmente o chá…

It was true that the Hatter was crazy and taught her the tea ritual and inadvertently said that happiness was a state of fleeting contentment that everyone tries to grasp. But “happiness” for her was sometimes an empty word, sometimes a chocolate, maybe a glass of wine… Eventually the tea…

Em minhas veias

Já não sei recitar poesias do passado. Elas ficaram tanto tempo preso na minha garganta que cauterizaram em minha voz e ainda assim pulsam em minhas veias.
I no longer know how to recite poems from the past. They’ve been stuck in my throat for so long that they seared in my voice and still vibrate into my veins.

Olhos

My My eyes?
… are the color of earth, which inhabits me, the color of the ground that I walk on and sustain me.
But always with the deep, pointed and dreamy glow typical of



the starfishs

Cactos

I require a silence of my own on gray mornings, like the song of the wind in the cactus leaves. Simply to reflect on the NOTHING of my thoughts and it took me a while to be ok with that.

Dante

700 years ago Dante Alighieri went to find his Beatrice. Maybe he went through the circles of hell, maybe he went through every single sin.
Maybe he just found her.
Or just maybe he just had a happy ending.

Correndo como Loba

For me it was already good. And it was suddenly, becoming a grown-up, pursuing a career, paying bills, sleeping every day and waking up the same; and here I go: running from frustrations and sometimes with them. I just can’t stop.

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