Sobre Amsterdam
Este cenário não tem nada de simples!
Tem cheiro de história, isso sim, mas tem outras nuances e acentos que a fazem distinta dos outros lugares em que morei.
Não tenho pressa e não me sinto acantonada ou com vergonha de mim mesma. Aqui sei que, mesmo que as pessoas não julguem, elas analisam. Tornando assim o ar bastante respirável – como se tirasse a corda do pescoço do enforcado.
A fome de cultura é substituída pela calma madura do momento preciso. A possibilidade de visitar museus um sem números de vezes e poder apreciar o que quer que eu goste, é um deleite raro e em si mesmo um grande prazer.
Inteira
O Silencio de uma mente esquecida
Às vezes acordo assim mesmo, suada, com palpitações e o rosto encharcado de lágrimas. Não, não são pesadelos. Acordo simplesmente aterrorizada e paralisada por um grande medo. Assim mesmo, sem mais nem menos: medo.
Medo de passar por esta vida e não fazer o que tinha que fazer como cuidar mais da família, estudar com afinco, conhecer os mistérios que me intrigam. Parar, enfim, de aprender alguma coisa todos os dias. Também tenho medo de perder os grandes amores da minha vida, que alguém me lhos leve embora, roubando meu coração junto com os valores da minha alma (ahaha como se alguém pertencesse ao outro).
Ou os medos da infância: as serpentes peçonhentas com seus gigantescos e afiados dentes injetores, das borboletas bruxas (aquelas gigantes e cinzas que ficam paradas, num canto da parede remoendo algum feitiço). De aranha caranguejeira – aquelas gigantes e cabeludas que espetam só de pensar. Ou do disco voador que vai levar meu pai e/ou minha mãe. Também o medo do ladrão audaz que possa me levar os estimados livros e roubar minhas histórias e medo do ladrão de sonhos que leva o doce da boca para deixá-la amargando. Com o tempo se agregaram ao coração os medos da maturidade: a falta de dinheiro, todos os receios pelos meus filhos, a cercania da morte…
Mas o que tira o meu chão, me dá tremeliques e me faz abraçar meu marido com todas as forças no meio da noite sem que ele se dê conta é a desonra de uma velhice abandonada – não abandonada pelos meus familiares, mas abandonada por mim mesmo ficando presa dentro de algum vazio silencioso da minha mente esquecida. Ficar presa no infinito com os olhos num horizonte mudo estrelado por um por de sol frio e sem cores para contemplá-lo. Olhar reticente o rosto e não apreciar ou receber o afeto de todos os dias da pessoa a quem amei toda a vida.
E ao desconhecer meu passado e minhas ideias, perder minhas paixões naquele horizonte, não sentir mais o aconchego do abraço de uma pessoa querida e ser aos poucos deixada por eles, e nesta proporção de migalhas ir me aproximado da desumanidade do ser e entrando e na personificando do nada.
Vermeer y su sitio especial
Es como si Vermeer hubiera encontrado un sitio lleno de secretos y expresiones. Un sitio entre dos paredes en donde podía posicionar sus modelos, alfombras, mesas y pensamientos y de allí brotaba todo lo que necesitaba decir.
En algunos de sus cuadros, utilizava mapas colgados – pero claro! Delft era una ciudad importante para la Campania de Las Indias Occidentales que viajava todo el mundo.
Y a las personas se les puede ver y sentir por el medio de la luz y sus reflejos. Casi casi se les puede escuchar sus pensamientos flotando en el cuadro. Sus angustias temblando en las texturas. Sus deseos vibrando por el medio de los colores y por fin aflicciones y miedos escondiéndose entre las sombras. Pero la luz es una constante – no cambia nunca, bien como el vitral por la que pasa.
Si este es un lugar definitivamente mágico.






