Grão por grão

A vida é um poema épico
Sem rima nem métrica
Simetria?
Ironia!
Escasso o tempo
Faço o vento lento sendo
grão
por
grão.

O passado é um castelo de areia
Desfeito pelo vento
do esquecimento.

Ilustração: Foto de Viviane Lago13254641_1043193669099943_6974100562154715360_o

Soneto das minhas lágrimas

As lágrimas transformam-se em cristal
Caem como pedra e naufragam feito nau
Dentro do mar de sentimento profundo
Eu descubro pouco da louca verdade deste mundo

E que o sentimento não me fale
Nem se quebre por necessidade
Mas que atinja seu objetivo, para mim já vale
Porque permitiu a mim ver esta verdade.

Então os olhos calam fechados, molhados, dormidos
E esquecidos do conhecer
São olhares tristes, pesados olhares queridos

É assim que quero deles saber.
Porque mesmo tristes, são meus, são lindos
Tudo que vi, esqueci, lembrei e não posso mais escrever.

 

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Vermeer – A menina do brinco de pérola

Ideias pela metade

Se tão só fosse todo mundo
Quanto egoísmo existira?
Qual amor que eu sentisse teria?
Nesse meu fantástico absurdo?

Patética esta hipotética de vida
Sem esquecer a pessoa que não somos.
Mas com toda força queremos sê-la
Vivemos de uma irrealidade perdida

Pelo que têm as pessoas
Como reconhecer tanta mediocridade
Indubitável, bonito e incerto (?)
Crônica essa estrofe com ideias pela metade.

Ilustração: Foto de Viviane Lago

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Sou tua

Que impreciso é este momento
Lê-lo com todo seu acento
Reconhecer o meu herói no entanto
Ser a tua mulher dos dias em seu bravo espanto.

Há tantas coisa a falar
(e o que dizer?)
Hei de mostrar, será?

Não quero falar deste instante
A minha glória é só pensar
— …. —- direi, certamente direi
Nos momentos voluptuosos do beijar.

Direi timidamente num sussurro
— …. —- direi!
A força de falar e dizer olhando nos seus olhos:
Estou aqui.
No momento de outro momento.
Neste instante do meu tempo.
Sou tua e estou aqui.

Ilustração: Rodin – o Beijo

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Morrer de Amor

Já ousei rabiscar
Versos apaixonados
Apenas um irei recitar
Esperando te deixar calado
Esperando acertar
neste teu jeito complicado
Com olhar elaborado
E estilo sofisticado.

E eu vou sussurrar
Baixinho ao teu ouvido
Suspirando sem saber
Que bicho tinha mordido
E afogada nos teus beijos
Eu me deixo, de amor,
…………………………………… morrer.
20 de agosto de 1990

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Psiché reanimada pelo beijo do Amor (1787-1793), de Antonio Canova. – Louvre

Saudades infinitas

Tomo como base o amor infinito
Que é uma breve fase e é isso que acredito.
Estamos distantes
Sem ter uma partida
Vejo tudo de longe,
Mas sei que te sou querida.

1995

O Homem Absurdo

 

Tudo o que se repudia
Traz-se com a própria alma
E atrai-se tudo que não queria
Fica aquilo tudo que é sem calma

Águas frias que corren em veias
Gelam tudo que se preza e ela mata
O corpo, o coração e almas feias
Torna-se objeto e mesmo assim abstrata

Trata se fosse gente
É alma, não corpo
Se fosse corpo seria quente
Mas é o nada, ainda torto
Absorto farto que cala
Sala em sela fala em nada
traga seu absoluto
Luto do infindo eterno salto
Morte no norte forte finda
A mente sente tudo ainda
Pensa, cansa, dança Fala
Grita forte:

Sem ou cem vem ou vêm
Homem absurdo
Infinito eterno a terra o tem!

Ilustração: Vincent Van Gogh – Caveira com cigarro aceso

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O que esvai

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Salvador Dalí

É claro que o tempo passa,
Esvai, escorre, anda, voa, se perde….
Mas o passado se refaz em lembrança
De que eu nunca me ousei lembrar
Nem esquecer
O tempo se mantém na neutralidade.
Esta neutralidade de viver. 

    O mais simples e mero existir.

 

Sempre sua, A Loucura

Você sabe quem eu sou!
Sou aquele momento de paixão
Aquele momento de volúpia

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Sou o beijo doce
Sou o verso lido
Ou o romance vivido
Sou o toque na pele
Sou pura libido

Tomei conta dos pensamentos
Rejo os sentimentos
E mostro a rosa dos ventos.
Sou a verdade caprichosa
E você bem sabe.
Assino aqui:
Sempre tua,
A Loucura

O Toque

Molhado são seus olhos,
Aqueles que me beijam
Sem ao menos me tocar
Sinto em minha boca suas úmidas palavras
Que não deixam seca
A boca que por ti tenta aclamar.

Com palavras simples,
Digo o que não quero
Porque o que quero
Não se encontra no meu escasso vocabular.

Continuas a beijar-me
Com seu molhado olhar,
Que me atormenta,
Que me abala
E respondo sem que queira,
porque é como a beira
A beira de um rio
que sem nem tocar,
Sinto a água me tocar
Deliciando-me no lembrar
O toque da água a me encharcar….

 

Viviane Lago

Brasília.1989.

O moinho de Mondrian

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Piet Mondrian

Sabe o cara que desenhou os quadrados coloridos e inspirou um monte de gente, não só outros pintores, como também arquitetos? O nome dele é Mondrian (Piet Cornelis Mondrian). Un pintor holandês que ficou famoso no começo do século passado.

E claro, que como outros artistas, Mondrian tem obras que não são muito conhecidas. E é precisamente deste moinho, não tão conhecido que eu quero falar.

Este quadro, que chama Windmill, faz parte da exposição permanente do Stadlijk Museum. E quando a vi tentei identificar o que exatamente estava acontecendo. Sabe, tem obras de arte que te chamam, te convidam a serem apreciadas com mais carinho. E esse moinho foi me disse algo que eu precisava escutar.

Algo como: “Vem comigo, sente-se ao meu lado e deixe as coisas pra lá; o sol já está se pondo e mesmo que se ponha todos os dias, você ainda pode se admirar, porque não existe um dia como o outro. E nada melhor do que o tempo para colecionar “pores de sol”. Vem, fica aqui comigo”. E assim fui ficando ali, tentando esgotar todos os ângulos de apreciação.

Observe que o moinho parece que toma vida como o de Dom Quixote de La Mancha. Os traços no chão me fazem sentir o vento soprando fazendo a paisagem entrar em movimento.

E ali atrás de uma nuvem, se pode vislumbrar o sol se pondo e umas pontinhas de céu azul muito timidamente, porque as nuvens formam uma harmonia craquelada como se quisesse descascar da paisagem e deixar vislumbrar o céu azul.

E se eu fechar os olhos, consigo ver as pás girando e escutar o vento zumbindo e sentir o arrepeio do vento frio que vem trazendo uma noite cheia de sonhos.

Quem mora em Amterdam, sabe o valor que têm o sol e o céu azul e como é importante manter guardado as memórias de calor, providas durante a primavera e verão. E daí, se você pensar que em uma época em que as fotografias eram raras e as viagens longas e definitivamente caras e um dos seus mais preciosos recursos eram lembrança, poderemos entender a importância do pintor.

Destino

Um dia estaremos tão unidos e seremos tão fortes,
Que nenhuma força – superior ou inferior
Conseguirá nos separar.
Simplesmente porque nos o que uniu e nos tornou tão fortes,
Foi o AMOR,
O único capaz de mudar nossos destinos.
VL

Ilustração: Salvador Dalí – “Metamorfosis de angeles en mariposa”

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Salvador Dalí – “Metamorfosis de angeles en mariposa”

 

 

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