A vida é um poema épico
Sem rima nem métrica
Simetria?
Ironia!
Escasso o tempo
Faço o vento lento sendo
grão
por
grão.
O passado é um castelo de areia
Desfeito pelo vento
do esquecimento.
Ilustração: Foto de Viviane Lago
A vida é um poema épico
Sem rima nem métrica
Simetria?
Ironia!
Escasso o tempo
Faço o vento lento sendo
grão
por
grão.
O passado é um castelo de areia
Desfeito pelo vento
do esquecimento.
Ilustração: Foto de Viviane Lago
As lágrimas transformam-se em cristal
Caem como pedra e naufragam feito nau
Dentro do mar de sentimento profundo
Eu descubro pouco da louca verdade deste mundo
E que o sentimento não me fale
Nem se quebre por necessidade
Mas que atinja seu objetivo, para mim já vale
Porque permitiu a mim ver esta verdade.
Então os olhos calam fechados, molhados, dormidos
E esquecidos do conhecer
São olhares tristes, pesados olhares queridos
É assim que quero deles saber.
Porque mesmo tristes, são meus, são lindos
Tudo que vi, esqueci, lembrei e não posso mais escrever.

Se tão só fosse todo mundo
Quanto egoísmo existira?
Qual amor que eu sentisse teria?
Nesse meu fantástico absurdo?
Patética esta hipotética de vida
Sem esquecer a pessoa que não somos.
Mas com toda força queremos sê-la
Vivemos de uma irrealidade perdida
Pelo que têm as pessoas
Como reconhecer tanta mediocridade
Indubitável, bonito e incerto (?)
Crônica essa estrofe com ideias pela metade.
Ilustração: Foto de Viviane Lago

Que impreciso é este momento
Lê-lo com todo seu acento
Reconhecer o meu herói no entanto
Ser a tua mulher dos dias em seu bravo espanto.
Há tantas coisa a falar
(e o que dizer?)
Hei de mostrar, será?
Não quero falar deste instante
A minha glória é só pensar
— …. —- direi, certamente direi
Nos momentos voluptuosos do beijar.
Direi timidamente num sussurro
— …. —- direi!
A força de falar e dizer olhando nos seus olhos:
Estou aqui.
No momento de outro momento.
Neste instante do meu tempo.
Sou tua e estou aqui.
Ilustração: Rodin – o Beijo

Já ousei rabiscar
Versos apaixonados
Apenas um irei recitar
Esperando te deixar calado
Esperando acertar
neste teu jeito complicado
Com olhar elaborado
E estilo sofisticado.
E eu vou sussurrar
Baixinho ao teu ouvido
Suspirando sem saber
Que bicho tinha mordido
E afogada nos teus beijos
Eu me deixo, de amor,
…………………………………… morrer.
20 de agosto de 1990

Tomo como base o amor infinito
Que é uma breve fase e é isso que acredito.
Estamos distantes
Sem ter uma partida
Vejo tudo de longe,
Mas sei que te sou querida.
1995
Tudo o que se repudia
Traz-se com a própria alma
E atrai-se tudo que não queria
Fica aquilo tudo que é sem calma
Águas frias que corren em veias
Gelam tudo que se preza e ela mata
O corpo, o coração e almas feias
Torna-se objeto e mesmo assim abstrata
Trata se fosse gente
É alma, não corpo
Se fosse corpo seria quente
Mas é o nada, ainda torto
Absorto farto que cala
Sala em sela fala em nada
traga seu absoluto
Luto do infindo eterno salto
Morte no norte forte finda
A mente sente tudo ainda
Pensa, cansa, dança Fala
Grita forte:
Sem ou cem vem ou vêm
Homem absurdo
Infinito eterno a terra o tem!
Ilustração: Vincent Van Gogh – Caveira com cigarro aceso


Você sabe quem eu sou!
Sou aquele momento de paixão
Aquele momento de volúpia

Sou o beijo doce
Sou o verso lido
Ou o romance vivido
Sou o toque na pele
Sou pura libido
Tomei conta dos pensamentos
Rejo os sentimentos
E mostro a rosa dos ventos.
Sou a verdade caprichosa
E você bem sabe.
Assino aqui:
Sempre tua,
A Loucura
Molhado são seus olhos,
Aqueles que me beijam
Sem ao menos me tocar
Sinto em minha boca suas úmidas palavras
Que não deixam seca
A boca que por ti tenta aclamar.
Com palavras simples,
Digo o que não quero
Porque o que quero
Não se encontra no meu escasso vocabular.
Continuas a beijar-me
Com seu molhado olhar,
Que me atormenta,
Que me abala
E respondo sem que queira,
porque é como a beira
A beira de um rio
que sem nem tocar,
Sinto a água me tocar
Deliciando-me no lembrar
O toque da água a me encharcar….
Viviane Lago
Brasília.1989.

Sabe o cara que desenhou os quadrados coloridos e inspirou um monte de gente, não só outros pintores, como também arquitetos? O nome dele é Mondrian (Piet Cornelis Mondrian). Un pintor holandês que ficou famoso no começo do século passado.
E claro, que como outros artistas, Mondrian tem obras que não são muito conhecidas. E é precisamente deste moinho, não tão conhecido que eu quero falar.

Este quadro, que chama Windmill, faz parte da exposição permanente do Stadlijk Museum. E quando a vi tentei identificar o que exatamente estava acontecendo. Sabe, tem obras de arte que te chamam, te convidam a serem apreciadas com mais carinho. E esse moinho foi me disse algo que eu precisava escutar.
Algo como: “Vem comigo, sente-se ao meu lado e deixe as coisas pra lá; o sol já está se pondo e mesmo que se ponha todos os dias, você ainda pode se admirar, porque não existe um dia como o outro. E nada melhor do que o tempo para colecionar “pores de sol”. Vem, fica aqui comigo”. E assim fui ficando ali, tentando esgotar todos os ângulos de apreciação.
Observe que o moinho parece que toma vida como o de Dom Quixote de La Mancha. Os traços no chão me fazem sentir o vento soprando fazendo a paisagem entrar em movimento.
E ali atrás de uma nuvem, se pode vislumbrar o sol se pondo e umas pontinhas de céu azul muito timidamente, porque as nuvens formam uma harmonia craquelada como se quisesse descascar da paisagem e deixar vislumbrar o céu azul.
E se eu fechar os olhos, consigo ver as pás girando e escutar o vento zumbindo e sentir o arrepeio do vento frio que vem trazendo uma noite cheia de sonhos.
Quem mora em Amterdam, sabe o valor que têm o sol e o céu azul e como é importante manter guardado as memórias de calor, providas durante a primavera e verão. E daí, se você pensar que em uma época em que as fotografias eram raras e as viagens longas e definitivamente caras e um dos seus mais preciosos recursos eram lembrança, poderemos entender a importância do pintor.
Um dia estaremos tão unidos e seremos tão fortes,
Que nenhuma força – superior ou inferior
Conseguirá nos separar.
Simplesmente porque nos o que uniu e nos tornou tão fortes,
Foi o AMOR,
O único capaz de mudar nossos destinos.
VL
Ilustração: Salvador Dalí – “Metamorfosis de angeles en mariposa”
