Grão por grão

A vida é um poema épico
Sem rima nem métrica
Simetria?
Ironia!
Escasso o tempo
Faço o vento lento sendo
grão
por
grão.

O passado é um castelo de areia
Desfeito pelo vento
do esquecimento.

Ilustração: Foto de Viviane Lago13254641_1043193669099943_6974100562154715360_o

O que esvai

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Salvador Dalí

É claro que o tempo passa,
Esvai, escorre, anda, voa, se perde….
Mas o passado se refaz em lembrança
De que eu nunca me ousei lembrar
Nem esquecer
O tempo se mantém na neutralidade.
Esta neutralidade de viver. 

    O mais simples e mero existir.

 

Sorriso

Lembrei-me do meu sorriso infantil
O que tinha de puro e engraçado
Foi-se com o tempo, sumiu
Eu o tinha desperdiçado.
O sorriso mais lindo que existiu
Chorei então para esquecer
E o que eu sentia me consumiu
Aquele sorriso de ingênuo saber
Deixou de ser, desapareceu, esqueci,
A sabedoria me havia feito crescer.
E com ela tudo desaprendi….
E com o tempo esqueci de eu mesma de ser….
Brasília – 7 de março de 1991

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Velasquez – As Meninas – Museu do Prado Madrid