O moinho de Mondrian

Piet_Mondriaan,_1921_-_Composition_en_rouge,_jaune,_bleu_et_noir
Piet Mondrian

Sabe o cara que desenhou os quadrados coloridos e inspirou um monte de gente, não só outros pintores, como também arquitetos? O nome dele é Mondrian (Piet Cornelis Mondrian). Un pintor holandês que ficou famoso no começo do século passado.

E claro, que como outros artistas, Mondrian tem obras que não são muito conhecidas. E é precisamente deste moinho, não tão conhecido que eu quero falar.

Este quadro, que chama Windmill, faz parte da exposição permanente do Stadlijk Museum. E quando a vi tentei identificar o que exatamente estava acontecendo. Sabe, tem obras de arte que te chamam, te convidam a serem apreciadas com mais carinho. E esse moinho foi me disse algo que eu precisava escutar.

Algo como: “Vem comigo, sente-se ao meu lado e deixe as coisas pra lá; o sol já está se pondo e mesmo que se ponha todos os dias, você ainda pode se admirar, porque não existe um dia como o outro. E nada melhor do que o tempo para colecionar “pores de sol”. Vem, fica aqui comigo”. E assim fui ficando ali, tentando esgotar todos os ângulos de apreciação.

Observe que o moinho parece que toma vida como o de Dom Quixote de La Mancha. Os traços no chão me fazem sentir o vento soprando fazendo a paisagem entrar em movimento.

E ali atrás de uma nuvem, se pode vislumbrar o sol se pondo e umas pontinhas de céu azul muito timidamente, porque as nuvens formam uma harmonia craquelada como se quisesse descascar da paisagem e deixar vislumbrar o céu azul.

E se eu fechar os olhos, consigo ver as pás girando e escutar o vento zumbindo e sentir o arrepeio do vento frio que vem trazendo uma noite cheia de sonhos.

Quem mora em Amterdam, sabe o valor que têm o sol e o céu azul e como é importante manter guardado as memórias de calor, providas durante a primavera e verão. E daí, se você pensar que em uma época em que as fotografias eram raras e as viagens longas e definitivamente caras e um dos seus mais preciosos recursos eram lembrança, poderemos entender a importância do pintor.

A Menina no Kimono Branco

Girl in a white Kimono 1894
George Hendrik Breitner – Rijksmuseum.

Essa menina possui algo de vazio ou alheio.

Algo entre não quero escutar e deixem-me em paz. Como se um sentimento adolescente tomasse conta da cena e ela estivesse saindo de uma discussão longa, pior que um sermão de domingo da igreja. Provavelmente a briga era com a mãe, que a dizia: “Você tem que provar essa roupa e se arrumar para sairmos, hoje você vai conhecer o seu futuro noivo” e ela, apesar de obedecer, se sente insatisfeita e para de escutar tudo o que veio depois de ‘futuro noivo’ e se joga no futón coberto com almofadas de sedas Valencianas e algodão egípcios da entrada da sala dos anfitriões. Ela tampa-se as orelhas para não ouvir mais a sua mãe, a música da festa, ou as besteiras das outras meninas – em uma atitude nada madura…(às vezes tenho vontade de fazer isso, mas os pensamentos não calam).

Evidentemente, este é um Kimono Japones que tem história e procedência. Ele  é de seda chinesa desenhado a mão pelas viúvas dos antigos Samurais, com detalhes vivos da primavera: pássaros e árvores que simbolizam a fartura e o recomeço. Ele foi comprado numa das ilhas Tokara do Japão por um velho negociante rico das Companhia das Indias Ocidentais; e ele escolheu essa peça de presente para sua futura noiva, na esperança do bom agouro de receber um sim; além de imaginar que ela ficaria estonteante dentro dele (o que realmente ficou).

Sem embargo, o noivo mal sabia que ela seria eternizada por uma terceira pessoa, um garoto que alimentava uma paixão platônica por ela, o filho do Miniaturista de sua irmã, com quem ela brincava na beira de um canal nas poucas manhãs de sol de Amsterdam.  E justamente ele , o filho do miniaturista – o garoto que reparava em tudo e falava tão pouco – estava passando quando ela se deixou cair no futón. Flagrado pela paixão da espontaneidade do gesto, ele ficou atrás de um biombo que decorava a entrada, só observando o que ela faria em seguida.  A menina tampouco se deu conta de que ele estava ali, fazendo rabiscos mentais, desenhando-a como um espião, ávido por absorver todos os detalhes de tamanha beleza. Poucos instantes mais tarde, durante o jantar, sua paixão seria arrebatada pelo anúncio da boda.

Sem se importar com o enlace, ele correu pra casa e fez uma dedicatória de amor com poucas palavras e da maneira como sabia: uma pintura de óleo em tela.

Eu sei que nem a metade do que está escrito aqui é verdade, mas foi o que a Menina sussurrou pra minha imaginação, e pra mim, isso já é o bastante.

E pra você, ela diz alguma coisa?

I am the daughter of the jungle…

I am daughter of the jungle, even if I had never been there. I know the smells, the textures, the dangerous, I know how to behave. I also can see subtleties and nuances, movements of tendencies. I can hear the moon,and feel in my skin the explosions in the sun. I can understand that nothing it is so definitive and so hard that’s going to take forever, as much as the river draw itself through the earth, and lapidating stones in such different formats, and such different ways, and it doesn’t matter how much, takes it, the river will get to the sea. And because of all that, I am an eternal student of the world itself. But I can’t stand by people, I can’t understand those who say one thing and do the other way around. I don’t understand the concept and practice of gossips. And this is the reason I commit to raise myself around a solid structure called family.You see, I don’t have roots – I mean, I do have them, – but as I travel a lot, I don’t raise myself roots. Which makes you wonder, but is there any place you feel like home? And yes…. there is – I feel the satisfaction of being in my house, reading books and writing stories. I find home wherever I can go with my husband and sons, and it doesn’t matter where this place is, because I am very comfortable in being with my thoughts. I like the silence, and my own voice telling me things. So my mind is also my home.

As a daughter of the jungle, I have another gift: I’m never alone. All things in the world collaborate to be a partner and a part of my life. And this way I am free. But as I was telling you before, I learned everything I know with my grandma. She was a unique pearl made through time, through people, through principles.

The most distant memory I have from her, she was already old, full of those wrinkles that mark well her path in the people’s life. It´s not she grow old after a while. Actually, she was already that when I was born, a solid tree, wrinkled and steady – full of wisdom – not books wisdoms – I repeat, she was the real deal.

 

And you have to comprehend that what I became was not over night, and there was never a lesson to teach. I learned all the secrets of the souls the way I was suppose. And this is very secrecy – like this brotherhoods – but it is how we learn in my family.